Cannabis medicinal e dor crônica: eu dormi na praça

Com uma legião de fã clubes espalhados por todo o mundo, a Cannabis é uma erva planta com várias propriedades medicinais, mas também usada como droga psicoativa, na fabricação de fibras, óleos e extratos. Em nosso mundo do estudo da dor, há um forte apelo doloroso para se utilizar cannabis no controle da dor crônica. 

No extrato da cannabis (nome mais científico para maconha) são encontradas substâncias que se tornaram famosas com efeitos quase milagrosos em doenças graves: canabidiol (CBD) e o tetra-hidrocanabidiol (THC). Estas são as substâncias do nosso Cannabis Externo (Reggae), industrializadas e prontas para o consumo humano. Não é fumado, nem no bolo de chocolate e nem como ervas finas para salada. “Liberdade pra dentro da cabeça”.

Já o Cannabis Interno (Rock), chamamos de sistema endocanabinóide, composto pelos receptores CB1 (sistema nervoso central) e CB2 (sistema nervoso periférico e células imunológicas), suas substâncias anandamida (AEA) e 2-arachidonoyglycerol (2-AG), bem como enzimas produzidas por demanda que sintetizam e degradam os endocanabinoides que o nosso próprio organismo produz. Ou seja, “a gente era feliz e não sabia”, já tinha um clima cannabis e não sabia até sua descoberta nos anos 90. 

Em dor crônica…”Meu reggae é roots”?

Mesmo com todo o burburinho e investimento para se usar o tratamento com base no CBD e/ou THC, não há pesquisas ainda consistentes sobre a eficácia clínica. Wang e colaboradores (2021) em um estudo de revisão sistemática encontraram que a melhora da dor, sono e função física ficou entre a cruz e a espada, ou seja, entre pequena e muito pequena, além uma coletânea de efeitos adversos. O estudo de revisão de Fisher e colaboradores (2021) encontraram a mesma coisa. Em contrapartida, há milhares de relatos pessoais sobre a melhora da dor, isso é inegável.  

Em dor crônica…”Ando por ai querendo te encontrar”? 

Para ativar o sistema endocanabinóide, podemos consumir o cannabis externo, além de realizar exercícios físicos, comer alguns alimentos e, atualmente, se investiga a possiblidade do TENS (sim, o famoso choquinho) ter ação endocanabinóide. Parece que sim. Apesar disso, é promissor que outros tratamentos possam também participar deste processo. Enquanto isso, a gente segue acreditando que “um dia a paz vence a guerra e viver será só festejar”. 

Boa sorte Reggae!

Artur Padão

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