Desvendando os mistérios da dor: ratinhos e microglia

Um estudo ainda quente acabou de sair na revista Nature Neuroscience (palavra cruzada dos neurocientistas) com um resultado pra lá de “doloroso”.

http://www.nature.com/neuro/journal/vaop/ncurrent/full/nn.4053.html

Os autores estudaram os nossos grandes chefs de cozinha do cérebro, a microglia. Eles queriam saber como eles funcionavam em ratinhos fêmeas e machos, especialmente como eram emitidos os alarmes do sistema nervoso (sensibilização).

Como eles fizeram isso? Os pesquisadores induziram uma lesão no nervo ciático dos ratinhos, o que provoca inflamação e dor persistente. Sete dias depois, os pesquisadores injetaram remédios que normalmente inibem a função da microglia, ou seja, demite o chef.

Não custa lembrar: a microglia tem um grande papel na sensibilização do sistema nervoso conectada diretamente com o sistema imunológico, fazendo uma limpeza geral, e usando um importante ingrediente especial: o fator neurotrófico derivado do cérebro.

https://dorterapeuta.wordpress.com/portfolio/glia-pra-mim-menos-dor-pra-voce/

Enfim, os ratinhos machos ficaram “show de bola” e deixaram de usar o ingrediente especial, o que não ocorreu com as fêmeas. Mais uma vez, os mecanismos de entender as fêmeas (de uma forma em geral) permanecem misteriosos.

É claro que trazer um estudo em animais para os seres humanos pode não ter nada a ver, mas é um passo para novos tratamentos serem desenvolvidos e mostram que, pelo menos nos ratinhos, fêmeas e machos são diferentes.

Fêmeas e machos humanos também são diferentes e assim devem permanecer. Daqui a pouco, da forma como se busca igualdade em tudo, teremos um ser único, assexuado, neutro e que, talvez, namore ele mesmo.

Artur Padão – Dorterapeuta

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