E ai…Doeu?

Nada mais comum na vida de um ser humano do que esperar uma dor aparecer. Somos cercados por uma série de eventos que provocam dor e situações que sentimos dor. Isso tem a ver diretamente com expectativa versus realidade. A expectativa é, por exemplo, você esperar por uma dor após uma topada no pé. A realidade é como você e tudo ao seu redor respondem a isso, doendo ou não doendo. Espera-se dor, mas na realidade nem sempre a dor vem. 

Para explicar essa lacuna entre expectativa e realidade, ou seja, lesão e dor, vamos começar trocando a palavra “lesão” por uma palavra mágica chamada “Ameaça”. Se você faz essa troca, abrem-se então novos caminhos neurocientíficos de se compreender a pergunta de 1 milhão de curtidas no insta: E ai…Doeu? Uma coisa é o seu cérebro perceber que algo ameaça o corpo e outra coisa é você mesmo perceber essa ameaça. São situações muito diferentes no quesito sistema nervoso. Sob ameaça, nosso sistema nervoso fica nervoso, mais ligado, mais antenado e se preocupa demais com o que ocorre no espaço ao redor. 

Dizem que não separamos corpo e mente, certo? Da mesma forma que não separamos dor física e dor emocional. Todas as dores refletem o físico e emoção juntos. E existem duas emoções velhas conhecidas do estudo da dor que estão ligadas diretamente a ameaça: medo e ansiedade. O medo é algo mega primitivo, de processos cerebrais subcorticais, e mostra que existe uma ameaça conhecida sua. Aquela vizinha bruxa do 71, aquela caneta no chão que você não quer pegar pois vai doer as costas. E a ansiedade é aquela emoção básica ligada ao que não se conhece direito, ou seja, não se sabe sobre o “E ai…Doeu?” e portanto a ameaça é desconhecida. Você sente o cheiro, você tem uma pulga atrás da orelha, mas não sabe o que vai rolar dolorosamente falando. 

Entretanto, nada disso faz sentido um sem contexto favorável: Aquele pé torcido e está todo mundo vendo; Aquela dor nas costas que fez aniversário e surgiu novamente. O contexto doloroso é quando os planetas, sol e lua se alinham ao funcionamento do sistema nervoso e fazem você sentir dor. É quando se torna favorável sentir dor ou a expectativa neuronal se transformou em realidade. E por isso, quando eu junto “Ameaça” + “Emoções” + “Contexto” = “E ai…Doeu?” = “É…talvez sim!”

Esquece fáscia. Esquece ponto gatilho. Esquece víscera. Esquece postura. Esquece asfalto irregular. Esquece depressão. Esquece cigarro. Esquece álcool. Esquece trabalho. Foco no que importa! Caramelo, biscoito e chocolate! Trio perfeito para seus neurônios facilitatórios botarem pra quebrar!

Lembre-se: E ai…Doeu? = expectativa / É…Talvez sim! = realidade

Artur Padão (o doloroso)

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