Quando a metade do corpo dói

Pensar que a dor em todo o corpo (generalizada) é uma situação meio estranha, faz de você um CurtiDor antenado no mundo. Gripe, estresse, emoções a flor da pele, cansaço, falta de sono, doenças e a clássica “fibromialgia” fazem parte do pacote. Agora, doer a metade do corpo, “pode isso Arnaldo”?

Não é comum, mas nos centros de dor existem casos regularmente. A queixa de dor está em toda a metade de um dos lados do corpo, direita ou esquerda, com outras sensações associadas como cansaço, mudanças de temperatura, tensão, inchaço e muito, mas muito esquisito.

Os tumores no cérebro (ex. tronco cerebral, tálamo), problemas vasculares como a síndrome de wallemberg, derrame, distúrbios psiquiátricos e outros mistérios a mais são as causas mais prováveis. Mexe no cérebro, mexe na dor! Mas, até o momento, entende-se muito pouco sobre o que realmente causa dor em hemicorpo.  É um baita mistério da dor a ser revelado.

Porém, podemos tentar dizer que o sistema nervoso está metade em curto circuito, metade super sensível. Alarme ligado no 220v. Mas, porque será que dói pela metade?

Uma das teorias explica que a dor em dimidio ou hemidimidio está relacionada a própria localização dos nervos e neurônios no cérebro. Cerca de 80% das estruturas que descem para o corpo todo se cruzam na chamada decussação das pirâmides (que não são do Egito), e por isso o lado direito do cérebro controla o lado esquerdo do corpo e vice versa. Sendo assim, a dor é de um lado só, mas em todo esse o lado. E por isso, a metade do corpo dói. Ou pelo menos explica-se assim. Outra teoria, nos casos de tumores ou derrame no tálamo, o cérebro perde sua central de organização dos estímulos, provocando dores sem a menor explicação até o momento. E a dor em metade do corpo é uma delas.

Como se resolve um problema que é a metade? Bom, até o momento, as opções disponíveis de tratamento são medicações para organizar este curto circuito cerebral, como por exemplo os anticonvulsivantes; estimulação cerebral com eletrodos dentro do cérebro; estimulação magnética transcraninana para dar um “reset” no cérebro. E as outras opções, já entendendo-se que a dor vai continuar, é focar na recuperação funcional e psicossocial, ou seja, um processo de reabilitação.

Não tão animador assim, devido a falta de explicações concretas, os tratamentos analgésicos tendem a falhar. Portanto, pessoas que sentem “metade dor” não chegam na metade da melhora. Meia verdade.

É duro, mas a vida segue, não pela metade da laranja! Mas, a batalha para tratar a dor em metade do corpo segue em frente.

Artur Padão

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