O medo de se movimentar – – Uma cilada dolorosa

dor e medoConhecida para os íntimos como cinesiofobia, o medo excessivo e irracional de se movimentar está virando quase que lei quando o assunto é dor crônica. Novos termos costumam chamar a atenção..SQN!

De nova a cinesiofobia não tem nada. No final dos anos 80 e inicio dos 90 (época top com nirvana, pearl jam e alice in chains), modelos sobre medo e evitação de tarefas / atividades chamaram a atenção. O termo cinesiofobia foi usado pela primeira vez em 1990 por Kori e colaboradores. O artigo abaixo, se você curte coisas “old school”, vale ser lido.
https://lirias.kuleuven.be/…/Vlaeyen_et_al_PAIN_1995%255B1%…

Ter ou não ter cinesiofobia não é dificil de saber. Se você é um bom observador ou se usa escalas como a Tampa e o FABQ, está no lucro. O mais interessante é: porque as pessoas acabam desenvolvendo o medo de se movimentar? Em que ponto o movimento torna-se um risco?

Respostas simples e direta: aprendemos a ter medo do movimento.
“Inocente, apaixonado; Eu tava crente crente; Que ia viver uma história de amor” SNQ!

Um experimento marcante foi feito por Meulders, Vansteenwegen e Vlaeyen em 2011. Voluntários saudáveis (sem queixas de dor) mexiam em um controle “old school” do video game atari. Para um dos lados, nada acontecia (estímulo condicionado). Para o outro, recebiam um choque elétrico doloroso (estímulo não condicionado). Essa era uma tarefa previsível, esperada, pois os voluntários sabiam qual a direção de movimento que ira doer ou machucar. Na outra tarefa, o choque era sempre recebido no intervalo entre os movimentos para cima e para baixo. Então, se o movimento ocorresse, algo ruim aconteceria depois.

E adivinha o que aconteceu??? Os volutários ficaram mais relutantes em realizar a segunda tarefa (cima e baixo) do que a primeira (para os lados). Era mais previsível, era mais esperado, eles poderiam se preparar melhor para o “pior”. Portanto, aprender a ter medo depende não só do estímulo envolvido (choque, ambiente), mas também do quanto isso pode ser previsível pelo indivíduo.

“Não era amor, ôh, ôh; Não era; Não era amor, era; Cilada”

Aprendemos a ter medo do movimento por:

– Experiência direta (caso acima) – “fui dobrar o tronco e sentir um estado forte nas costas”
– Instrução verbal – orientação de que o movimento pode provocar lesão, dano ou dor: “cuidado ao dobrar o corpo para não esmagar os nervos e discos”
– Observação de aprendizado – ver outras pessoas se machucarem pelo movimento: “eu vi minha amiga dobrar o corpo para frente e travar, não quero que isso aconteça comigo”

“Que cilada, desilusão; Ela me machucou; Ela abusou do meu coração”

Cinesiofobia – – Como intervir??? Notas para a próxima música!

Artur Padão – Dorterapeuta

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