Laudos de exames de imagem: o que é o que é? Parte 2.

dor e rmn1Quando você sai do laboratório de exames de imagem e pega aquela sacola pesada já pensa: “ihhh se tá pesado é grave!” E o que você faz? Abre o exame e lê o laudo. Clássica cena que todo mundo faz e, muitas vezes, já garante a consulta de graça no dr. google. Será que os termos usados no laudo significam que tenho algo grave na coluna? Tem hérnia? Tem nervo comprimido? Tem tumor? Tem doença?

Para desvendar mais um mistério da dor, vamos decifrar os códigos mágicos que os técnicos em radiologia e os médicos colocam no exame de ressonância magnética e geram o laudo técnico do exame. Afinal de contas, você não é obrigado a saber o que está escrito ali. Não se esqueça de consultar o manual doloroso dos termos na Parte 1: https://dorterapeuta.wordpress.com/portfolio/laudos-de-exames-o-que-e-o-que-e/

Vamos lá:

. Sinal em T1 e T2 – tipo de imagem que aparece na ressonância, para facilitar a interpretação do exame. A gente enxerga os líquidos da coluna como liquor e água que ficam brancos em T2 e escuros em T1, por exemplo.

. L3, L2, S1 – São as letras e números correspondentes a cada vértebra da coluna: L = lombar / S = sacral / 1 = um. Na coluna lombar são 5 vértebras e na sacral também, não se esqueça!

. VT – “Vem me Tratar?”. Nãoooo! Chama-se Vértebra de Transição. Significa que você foi premiado(a) com uma vértebra a mais. Só! Parabéns!

. Pedículo – estrutura que conecta o corpo da vértebra (e que corpo!) as lâminas que protegem os nervos. É lá que muitas cirurgias são feitas para descomprimir e dar espaço a eles (eles precisam) e onde são colocados os parafusos na artrodese.

. Sequências pesadas – é quando o exame “vai fundo” na coluna.

. Retrolistese – quando a vértebra “pisa na banana”, escorrega para trás.

. Platôs –  é a “bandeja” das vértebras da coluna, onde os discos se apoiam. Tipo o “ombro amigo” dos discos. Muitas vezes, é lá que a gente encontra o MODIC (vide parte 1)

. Redução da amplitude – diminui o espaço por onde passa o nervo. É como um entupimento do canudo que você toma milkshake de ovomaltine. Simplesmente você deve adotar outra estratégia para continuar.

. Emergência da raiz nervosa – massagem cardíaca no nervo? Há! O uso da palavra emergência é para dizer que emerge ou que surge. Então, é por onde surge a raiz nervosa, que não fica nervosa, pois não é uma emergência 🙂

. Ipsilateral – simplesmente diz que é do mesmo lado. Ipsilateral é o nome com raio gurmetizador.

. Pseudoabaulamento discal – de mentirinha né? Os discos também enganam a gente.

. Hipotrofia muscular – quando a massa muscular está reduzida. Sim, os músculos da coluna também afinam.

. Cone medular – o nosso “temaki” da coluna lombar, fica mais ou menos na altura da segunda vértebra lombar, sendo que os nervos da coluna começam por ali e descem para as pernas.

. Canal raquiano – buraco / canal por onde a medula e nervos ficam protegidos. Ele é formado pelos ossos da coluna e muitas vezes tem seu espaço invadido por osteófitos, hérnias de disco e tumores. E dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço!

. Estenose – redução do espaço do canal raquiano (vide acima), o que muitas vezes comprime os nervos. E isso não é muito bom.

. Laceração do anel fibroso – sabe quando você dá uma ralada no joelho no chão? Ocorre o mesmo no disco da coluna, mais especificamente nos anéis que estão dentro dos discos.

. Abaulamento discal difuso – O disco fica tão, mas tão chateado que “abaula” o seu emocional. Pegue um pão de hambúrguer e aperte ele contra suas mãos. Ele dá uma esparramada né? Isso é o abaulamento do pão, que também ocorre nos discos da coluna.

Laudo de exame não é carta do editor de revista de moda. É um documento técnico e não deve estar no facebook para as pessoas opinarem.

Artur Padão

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