Desvendando os mistérios da dor: as fibras C “lesmaCHIP”

Conhecida por todos como fibra da turma “LesmaCHIP”, a fibra C tem um importante papel para nossa proteção. Você já ouviu falar dela? Seus mistérios serão revelados agora mesmo. Seu envolvimento com a dor nunca mais será o mesmo.

Quando estudamos a fisiologia da dor, mais precisamente as vias de transmissão (se é que podemos chamar assim), nos deparamos com uma série de caminhos que a informações (estímulos) percorrem até chegar ao cérebro. Basicamente, temos 4 estradas regulamentadas por suas respectivas empresas e, claro, cobrando pedágio por isso. A estrada da nossa “Fibra C LesmaCHIP” é a mais lenta de todas, chegando a incríveis 7 km/h.

Aonde ela começa, por onde passa e onde termina? O início desta estrada lenta, lenta e lenta fica em pequenas ruas ligadas aos nossos músculos, articulações, ligamentos, pele e as vísceras (tecidos musculoesqueleticos e viscerais). A essas ruas chamamos de “terminações nervosas livres” ou “ruas nociceptivas”. Os convidados caem de paraquedas nestas pequenas ruas e são levados a estrada principal da Fibra C.

Você pensa que “cair na principal” faz a velocidade na estrada aumentar? Nossa Fibra C lesmaCHIP é caxias e não abre mão de sua segurança, mantém sua velocidade ao estilo “rubinho pé de chinelo” rumo ao cérebro. A estrada principal chamamos de “Via espinoreticulotalamica”, um nome chic e longo, porém lento como andar a pé.

Cadê os pedágios desta estrada? Eles são meio ambulantes, podem dar as caras ao longo de todo o trajeto medular, logo após passar pelo entroncamento do gânglio da raiz dorsal ou gânglio trigeminal. A partir daí, seu bolso pode doer (pedágio). Subindo em direção ao cérebro, a própria medula decide se vai ou não cobrar por isso (modulação). Se sim, irá deixar você parado na cancela. Caso não, “partiu cérebro”.

Quem são estes convidados? Nossa querida lesminhaCHIP leva convidados procurados pela justiça dolorosa, que são perigosos e querem machucar você. Esta ameaça real ou potencial faz com que, durante este trajeto até o cérebro, a polícia local fique em alerta vermelho. Esse alerta não desliga imediatamente, para garantir que tudo estará seguro. #rumoaocerebro

Perto do destino final, nossos convidados são levados até a central de distribuição, chamada de tálamo. Lá eles ficam “vendidos”, pois precisam passar por uma região pra lá de afetiva, a formação reticular. Seus segredos mais dolorosos serão descobertos, não tem jeito. Como são ameaçadores, os convidados tem seu coração aberto “na marra”, não tem jeito.

Enfim, chegamos ao cérebro, onde teremos aquela velha questão: doer ou não doer? Vale todo o sacrifício da lesmaCHIP? Foi tão ameaçador assim? Só digo uma coisa: rápido é que não foi. Por isso, o cérebro é quem manda a partir de agora. “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

Lembre-se: isso é nocicepção, não é dor.

Dor é resposta a ameaça! Nocicepção é levar a ameaça para quem decide o que irá fazer com ela. Essa é a LesmaCHIP, no seu ritmo, com a sua cara, fazendo o que mais gosta: cuidado de você.

Artur Padão

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