Aprendendo a sentir dor (2): condicionamento operante

dor e operanteDigamos que uma pessoa venha conversar com você sobre, nada mais nada menos, aquela velha dor lombar de sempre. Você observa que esta pessoa se coloca em uma postura tensa, fazendo expressões faciais de sofrimento e passando a mão na região dolorida. Classicamente, chamamos estas reações de “Comportamento Doloroso”.

Estas são reações que muitas pessoas adotam quando estão com dor. Vamos entender, neste contexto, a dor como uma resposta e, como consequência a dor (comportamento), a postura tensa, expressão facial de sofrimento e passar a mão na região dolorida.

Quando ocorre uma resposta do nosso organismo levando a um comportamento e suas consequências, chamamos de Condicionamento Operante. Skinner (não é o diretor nos Simpsons) foi o precursor de uma série de experimentos que definiram vários comportamentos que adotamos em nossas vidas. Além disso, os comportamentos são afetados de acordo com o reforço aplicado: maior o reforço, a tendência é aumentar a frequência do comportamento e fazer parte do repertório (vice e versa), ou seja, em um contexto semelhante o comportamento tende a aparecer.

Para o profissional de saúde “doloroso”, as questões são:
1. Observar como e quando estes comportamentos ocorrem.
2. Observar o tipo de reforço
3. Intervir com sabedoria, calma e paz no coração
https://www.youtube.com/watch?v=ZJR5mjHVJx0

Na realidade da dor, comportamentos frente a experiência dolorosa ocorrem sentindo ou não sentindo dor no momento. Por exemplo, posso ficar passando a mão no meu pescoço que de vez em quando dói; toda a vez que penso em dor (mesmo não sentindo), preciso parar o que estou fazendo e deitar. Muitas vezes os comportamentos ocorrem na presença de outras pessoas, como a necessidade de auxilio e atenção, incapacidades para atividades e/ou tarefas, receio, repouso…e por ai vai. Comum isso nas consultas de “saúde”.

Para agir, precisamos saber se o comportamento é ou não desejável. Por exemplo, fazer repouso prologado é indesejável pelas consequências dolorosas. Mas, fazer repouso de vez em quando é desejável para o controle da dor.

Para reforçar um comportamento desejado de forma positiva na consulta, adicionamos uma recompensa: palavras positivas, lindas ou maravilhosas; um exercício que o paciente goste, massagem, relaxamento, “uma estrelinha dourada na assinatura do whatsapp”. São exemplos da minha prática. Com isso, conseguimos aumentar a frequência do comportamento desejado.
https://www.youtube.com/watch?v=Nou1_7zDMoQ(reforço positivo clássico)
https://www.youtube.com/watch?v=D87Hw7mp6gs(reforço positivo que mantém o comportamento indesejado)

Quando o reforço é negativo, devemos retirar um elemento com o objetivo de reduzir o comportamento. Por exemplo, distrair o paciente quando ele não para de passar a mão na região dolorida, não realizar um exercício que o paciente tenha receio, não falar sobre dor, remover um exercício que possa estar trazendo mais dor e que mesmo assim o paciente faz.
https://www.youtube.com/watch?v=y4I1saDpEac(reforço negativo com aprendizado)
https://www.youtube.com/watch?v=SiHFkO-TrD0(elemento negativo removido)

Na prática, então, devemos reforçar o que é bom e remover o que é ruim. Cuidado para não reforçar o que é ruim e remover o que é bom – https://www.youtube.com/watch?v=C1i0Os8WEG4(reforço na prática)

Positivo ou Negativo e Operante!

Artur Padão Dorterapeuta e condicionador doloroso

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