Ai que frio…Ai que dor…

frio e dorAo tomar um açaí bem consistente e gelado (que você só consegue de verdade no Rio de Janeiro), eis que surge uma dor por dentro do nariz, que sobe até a cabeça e fica alguns segundos dolorosamente gelados. Você fica nervoso e espera o susto passar para a próxima colherada. Este é um exemplo da temperatura fria provocando dor por gula, por estar sedento por um açaí no calor escaldante do Rio de Janeiro fora do verão.

Gelado demais pode ser ameaçador, por isso o cérebro produz dor para proteger o suposto carioca de machucar a garganta. Isso é pura defesa, o cérebro faz essa jogada de basquete de vez em quando.

E o tempo frio??

Quando o tempo muda ou vai mudar para o frio, nosso corpo percebe, mas não damos muita importância. Pessoas com dor crônica, parentes do exterminados do futuro (com metais no corpo) ou com “problemas de junta” são nossos melhores sensores. Estes sim se importam, pois sabem que o bicho pode pegar.

O sistema nervoso sensível e nervoso significa que existe um alerta para possíveis ameaças e o frio é uma delas. Se o sistema está em alerta constante, mínimas mudanças de temperatura podem produzir reações intensas, as vezes excessivamente intensas. Mas, o interessante disso tudo é que essas reações são quase que exclusivas do clima frio.
http://jn.physiology.org/content/jn/90/1/100.full.pdf
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9514562
https://www.brainlab.org/…/Influence-of-Weather-on-Report-o…

Mudanças na pressão barométrica articular, rigidez articular e muscular, mudanças no fluxo sanguíneo e a sensibilização dos nociceptores estão entre as explicações mais conhecidas. Mas, a explicação mais legal de todas diz que os neurônios da nossa querida amiga medula espinhal não toleram mudanças pelo frio do ambiente.

Quanto mais estímulos frios são aplicados mais reativos se tornam. O ambiente frio pelo ar condicionado ou pelo clima ou o vento gelado são intoleráveis para muitas pessoas com o sistema nervoso sensível. Abrir o congelador, entrar num frigorífico, beber algo gelado ou mexer no gelo não parecem tão ameaçadores. Mas, nunca se sabe…

Se o sistema já está sensível, portanto, a temperatura fria será um prato cheio para o aumento da dor e das respostas excessivas a dor. Totalmente oposto a isso, o calor não produz essas reações. Totalmente a favor, o calor é benéfico na dor crônica!

Porque nascemos assim? Porque somos assim? Porque o frio e não o calor? Porque nossos receptores são assim? Porque que a gente é assim? Pergunta lá no Posto Ipiranga. Filosofias estilo “Monty Phyton e o Sentido da Vida” não são o meu forte.

Artur Padão – Dorterapeuta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *