Tratando a dor com a devida educação

dor e educacaoDe todos os modelos de intervenção para o controle da dor, as estratégias educativas se desenvolveram bastante nos últimos anos. Está na moda falar de educação. Está na moda ser sem educação. A sociedade exige que pessoas “sejam educadas” ao longo da vida. Dizem que a educação a gente traz de casa.

E sempre me disseram que os pacientes precisam ser educados quanto a sua condição de saúde e sobre dor. Então antes eles eram mal educados? Quem vai ensinar? Será que os pacientes estão dispostos a aprender? Será útil para eles saber sobre dor?

Instrumentos foram desenvolvidos, como o questionário neurofisiologico sobre dor que está sendo validado para o nosso tupiniquim. Livros foram publicados para pacientes como “explain pain” de 2003, “neuroscience of pain education” de 2013 e em 2014 um livro sobre dor lombar e hérnia de disco aqui do Brasil. As intervenções são propostas para um conhecimento biomédico mais positivista, sobre neurofisiologia e fatores psicossociais.

Olhando para o Brasil, onde a grande massa da população tem uma condição socioeconômica e nível educacional baixos, devemos parar pra pensar que não podemos usar o mesmo modelo para todo mundo.

Por exemplo, uma vez fui explicar para a paciente os motivos dela ter dor lombar ao acordar. Fiz uma associação com o colchão e travesseiro, que estariam inadequados. Pedi o que todo mundo pede: vamos trocar ne? Pedi que a paciente caminhasse 3 x semana por 30 min até nosso próximo encontro. Porém, o detalhe “doloroso” era que ela morava em uma comunidade e num barraco, onde ela não teria condições de comprar nada além de sua alimentação. A paciente não podia caminhar na rua pois morava em uma ladeira de chão de paralelepípedo e que traficantes armados andavam livremente a luz do dia. Ela tinha dor lombar incapacitante, como muitos têm, porém em seu contexto próprio.

Em contrapartida, um paciente em condições opostas a acima, largou o seu tratamento para a dor, com sinais neurológicos e indicação de cirurgia lombar “pra ontem” porque o pastor de sua igreja disse que Deus iria curar seu problema.

A educação em dor é uma ferramenta que permite um processo de aprendizado. Cabe ao profissional conduzir este processo entender o contexto de cada um. Sabemos que isso reduz a atividade excessiva cortical, alivia a dor e permite o ganho de função e uma maior participação social.
http://bmjopen.bmj.com/content/4/6/e005505.abstract
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23651882
http://www.bodyinmind.org/…/1-s2.0-S1526590003004887-main.p…

Não dá pra associar sensibilização do sistema nervoso, por exemplo, a mudança de cores das luzes de um avião se a pessoa nunca andou de avião. Não dá pra falar mal de bandas pseudo rock se o paciente só escuta pagode, funk ou samba.¨
* Nocicepção — sistema de sensores
* Sensibilização — alerta disparado
* Dor — resposta ao alerta

Adapte seu conhecimento para facilitar o aprendizado.
Hey teacher…leave them kids alone…

Artur Padão – Dorterapeuta educado

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