Desvendando os mistérios da dor – Alodinia

alodinia1Uma dor que aparece quando a roupa encosta na pele ou passamos suavemente a mão na pele ou no cabelo, quando recebemos o famoso “golpe de ar”. Você não imaginaria que isso podia causar dor. E pode sim, muita dor. Chamamos esse fenômeno de Alodínia. Separando as palavras temos “Alo / Allo” que significa “outro” e “Dinea / Odyne” que significa “dor”. Português e Grego ao mesmo tempo.

As sensações descritas com a alodínia são as mais bizarras, aberrantes, perversas ou anormais, porque não se espera causar tanta dor com um estímulo que normalmente não causa. Pode queimar, arder e espalhar a dor com muita rapidez ou de forma espontânea. Mesmo que a pele esteja normal ou machucada.

Estamos falando de um problema no sistema nervoso, mais precisamente nos neurônios sensitivos, que acontece em doenças, patologias e lesões que envolvem o próprio sistema nervoso: neuralgia do trigêmio, diabetes, síndrome complexa de dor regional, enxaqueca, fibromialgia, lesão medular, lesões de nervos por hérnias de disco.

Esses tais neurônios sensitivos são capazes, do nada, de disparar estímulos elétricos através do sistema nervoso neurovegetativo (é um sistema que manda nele mesmo) para os neurônios vizinhos, que certamente estavam dormindo naquela hora. Claro que eles vão acordar reclamando e por isso também disparam esses estímulos elétricos.

Além disso, o sistema nervoso tem que se acostumar com a nova situação dos seus neurônios sensitivos. Para isso tem uma ferramenta altamente especializada chamada plasticidade – –  quando o sistema nervoso consegue organizar novamente cada bagunça que é criada nas mais de 100 bilhões de cômodas (neurônios).

:. Porque a pele recebe toda a culpa?

Na pele temos vários receptores (sensores) de tato, temperatura, pressão, vibração. Com a lesão no sistema nervoso, os nervos responsáveis pelos sensores de tato (fibra A beta) ficam super sensíveis. Isso é explicado por um fenômeno da plasticidade chamado brotamento ou “sprouting”, onde os neurônios que moram na medula resolvem fazer suas malas, totalmente insatisfeitos e tornam-se imigrantes ilegais. Eles moravam nos quartos IV e V da medula e mudaram para os vizinhos do I e II, mas só de forma superficial, aparentemente de férias. Lembrando que a medula tem 10 (X) quartos, mas 6 no prédio de trás (lâminas do corno posterior). Por essa chegada forçada do IV e V, os vizinhos do I e II simplesmente evadem o local. Chamamos isso de atrofia das fibras C ou mais popularmente de inserção forçada de UPP no Rio de Janeiro.

:. De quem é a culpa então?

Lembram que a fibra C é responsável por perceber estímulos nocivos, térmicos? Com a atrofia das fibras C atrofiaram, agora qualquer estímulo na pele provoca dor, pois a fibra A beta manda no local e informou que manda no recinto por causa evasão da fibra C.

:. A culpa é do sistema nervoso. Quem se dá mal é a pele.

Para explicar a dor que se espalha na alodínia, vamos usar o termo chamado efapse. Significa que os estímulos foram espalhados por um emaranhado de outros nervos vão para outros lugares também. Às vezes, podemos ter um estímulo que dói na mão, ele ser aumentado pela alodínia e se espalhar até o rosto, principalmente pela proximidade entre a representação cortical (desenho no cérebro) da mão e face.

http://www.molecularpain.com/content/4/1/49

Artur Padão – Dorterapeuta

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