De onde vem a dor?

Parece uma pergunta fácil de ser respondida, pois as pessoas sentem dores no corpo. Há quem diga que a dor vem lá do fundo, lá de dentro, da entranhas ou da alma. Porém, não se engane. A ciência aposta suas fichas naquele que manda em tudo no corpo humano, o cérebro.

O cérebro é uma estrutura física, que tem água e outros líquidos diversos e que tem eletricidade e energia, tem sal e tem açúcar. Quando juntamos tudo isso, criamos “luz nos neurônios”. E para a dor aparecer, ou seja, você sentir dor em seu corpo, o cérebro produz eletricidade e que ilumina as lâmpadas neuronais de sua “small town”.

Existem várias sequências de luzes que já foram vistas pela ciência que são responsáveis por sentirmos dor. São como as árvores de natal modernas, que piscam suas luzes em velocidades e intensidades de luz diferentes, umas mais rápido, umas primeiro que as outras, umas coloridas, mas que no final das contas mantém o clima “cool” do ambiente. Nossas redes neurais são individuais e intransferíveis, como um CPF registrado no governo federal.

A dor então é um evento puramente físico? Se olharmos para o cérebro como estrutura física, química, “líquida” e quase perfeita, então sim! Mas, não se esqueça que as emoções, o ambiente que você vive e convive, o seu movimento do corpo, a forma que você pensa e age, a religião e cultura, e um monte de outras coisas a mais, também mexem com a química dos neurônios. É essa química entre milhões de células que permitem a passagem de energia e a produção de luz. Sim, tudo isso é também dor.

Existem luzes que piscam mais forte, piscam mais rápido ou até mesmo piscam diferentes. E ficamos meio hipnotizados e atentos para saber quando vão piscar novamente. Para nosso cérebro, essas são as redes de saliência, ou seja, são as luzes desta árvore de natal que você fica hipnotizado, focado. Você dá tanta importância que fala sobre ela, quer ver novamente e lembra disso. Se sua dor for importante, seu cérebro dará a sua devida importância a isso.

A dor vem de lá mesmo. Desta interação entre o sal e o açúcar, entre a química e física. A dor não vem dos nervos, dos discos da coluna, dos ligamentos do joelho ou da pele queimada de sol. Vem dessa rede que se importa com você, até demais inclusive.

Então, se a dor vem do cérebro, desta estrutura física, será que os dias do modelo biopsicossocial estão contados? Não mesmo, porém sem cérebro, não tem psicossocial. E sem biopsocissocial não há dor.

Artur Padão

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