Como enxergar tanta dor nos exames de imagem?

exames e dor1Não precisa ser expert, doutor ou especialista para perceber que a sacola de exames de imagem só aumentam ao longo dos anos quando sua dor não melhora. E também começa desde cedo. Raio X, ressonância, tomografia e ultra som. Hoje, temos a termografia também. Esse é o quinteto fantástico que procura justificativas para problemas no corpo.

Uma das grandes razões para tantos exames de imagem é caçar explicações para a dor. Como um tesouro perdido a ser achado, os olhos brilham quando aparece algo no exame. Quando não se acha, tenta-se outro. E por ai vai. Quilos e quilos de imagens que, na maioria das vezes, mostram o envelhecimento corriqueiro. 

Encontrar algo errado é importante para um diagnóstico precoce. Porém, justificar a dor por meio de achados em exames de imagem pode representar uma grande falha numa possível escolha de tratamento, se é que um tratamento realmente é necessário. Associar lesão ou patologia encontrada nos exames fortalece nossas crenças de que precisamos de um machucado para sentir dor. Afinal, tratamos imagens ou pessoas?

Um dos vários estudos de revisão sobre a relação entre dor e exames de imagem da coluna mostrou fatos que poucos querem consumar:
– pessoas sem dor também apresentam alterações na imagem
– quanto mais envelhecemos, mais envelhecemos
– entre 75 e 90% dos adultos tem problemas nos discos, mas não tem dor
– degeneração da coluna é igual a ruga na pele
http://www.ajnr.org/content/early/2014/11/27/ajnr.A4173.long

Existe uma preocupação excessiva com o exame de imagem e com sua modificação por meio de tratamentos. E também com a necessidade de se encontrar uma explicação para a dor. Porque então ainda caímos em tentação?

A dor, portanto, fica na imaginação do cara que vê a imagem. O único exame que tenta enxergar a dor, tenta, é a ressonância magnética funcional, a qual mostra a ativação das áreas do cérebro. A dor é uma experiência consciente. Precisamos estar acordados para sentir. A imagem é uma experiência fotográfica, com pouca ou nenhuma relação nexo causal com a dor. Branco e dourado ou azul e preto?

Como enxergar tanta dor no exame de imagem? Basta ter o espírito biomédico e ser um ninja da dor. Assim veremos coisas que nem um cego vê. “O segredo do sucesso é saber algo que ninguém mais sabe”. Descobrir a dor no exame é achar fogo no meio do gelo.

Dor não se acha, se relata. Imagem não é nada, a dor é tudo!

Artur Padão

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