TEORIA DA NEUROMATRIX DA DOR
A neuromatrix ou rede de neurônios é tipo um conjunto de conexões, como se fosse uma gigante rede de computadores, só que do tamanho do nosso cérebro. Lá encontramos muitos fios, chips, processadores, portas (praticamente invisíveis) que correspondem às áreas e conexões do nosso cérebro com várias estruturas. Essa rede depende de muitas coisas. É uma grande memória de todas as nossas experiências físicas, psíquicas, sociais. De alguma forma, nasce, se desenvolve e amadurece ao longo de nossas vidas. Genética né?
Quem pensou nessa tal de neuromatrix foi Ronald Melzack em 1996, psicólogo canadense, que fez milhões de descobertas sobre a dor. Talvez a mais famosa delas, a teoria das comportas.
Para ajudar a entender a teoria da neuromatrix, assista o filme Matrix, mesmo que você deteste ouvir falar sobre Neo, o escolhido, ou Morpheus ou a Trinity. Da primeira vez eu odiei o filme. Será que os produtores de Matrix já conheciam a teoria da neuromatrix??? Provavelmente sim. Não pode viajar tanto para fazer um filme.
A teoria da neuromatrix serve para enxergar a dor como um conjunto de problemas internos e externos ao nosso corpo. Também para lembrarmos de dois aspectos: 1. O trauma ou lesão causam não só o problema local, mas comportamentos e fobias nos movimentos e possibilidades de novas lesões; 2. Afeta o equilíbrio interno do corpo.
Ao longo da nossa vida, as experiências dolorosas se acumulam e nos ajudam a entender limites e possibilidades. A gente aprende muitas coisas com a dor, principalmente o quanto ela pode ser desagradável. Cada um de nós terá sua própria rede de neurônios, marcada pelas experiências dolorosas da vida, dependente do bom funcionamento do nosso corpo (aspectos bioquímicos, humorais, neurofisiológicos, imunológicos) no que chamamos de homeostasia (equilíbrio) e do ambiente em que vivemos.
Como a dor é formada no cérebro, vamos falar dele mesmo. O cérebro acha que o corpo está em perigo e algo precisa ser feito. Inicialmente a dor ativa as áreas correspondentes a região que está doendo, mas quando persiste (fica crônica), a matrix entra em curto. Se existem curtos na neuromatrix, o corpo não funciona bem, o cérebro não funciona bem e a dor permance lá. Entretanto, organizar novamente o bom funcionamento não é tão simples quanto trocar peças de computador. O sistema nervoso precisa se organizar novamente (neuroplasticidade) e isso leva tempo. Só que quanto mais a dor persiste, mais difícil é fazer tudo funcionar corretamente de novo. Com a dor ficando crônica, a neuromatrix trabalha mais e a rede fica sobrecarrega só que não desliga, mantém-se com o interruptor ligado.
Isso conseguimos ver no exame de imagem chamado ressonância magnética funcional do cérebro, onde as áreas que estão envolvidas com a dor ficam ligadas.
Vamos conhecer mais o cérebro, as partes mais importantes da neuromatrix da dor.
Tálamo – organizador e coordenador dos impulsos.
Sistema Limbico – responsável pelas nossas reações emocionais e percepção.
Córtex sentivo – área responsável pelas partes do nosso corpo.
Ínsula Anterior – também das emoções e reações afetivas, além de ajudar nos movimentos
Cortex Anterior Cingular – manda em muita coisa. Decide o que vai ser feito, ajuda nas reações emocionais e no controle dos movimento, comportamentos perante a dor
Pré-motora – planejar o movimento
As 3 portas USB principais levam a gente nas seguintes áreas do cérebro responsáveis pela percepção, compreensão e reação a dor:
- sensitivo descriminativa – percebe e sente onde é – é desagradável, é dor né!?
- afetiva motivacional – São fortes emoções e reações sobre nosso comportamento.
- cognitivo evolutiva – o que é que aconteceu e como.
Nestas 3 portas, as informações podem sair de maneira errada, afetando diretamente o bom funcionamento do corpo. É o seguinte: o próprio curto circuito do cérebro e o corpo desregulado provocam dor.
Tantas partes envolvidas e funcionando mal ao mesmo tempo. Então nunca poderemos separar as reações emocionas – comportamentais – afetivas dos nossos movimentos, ou seja, mover-se melhor = mudanças nas reações = menos dor.
É por ai que a teoria da neuromatrix é proposta pelos fisioterapeutas –
- Controlar a dor através de técnicas que ativem os circuitos de inibição da dor (vias descendentes supressoras).
- Reduzir a atividade e sensibilidade da neuromatrix da dor.
- Aumentar ou diminuir as estratégias de tratamento se forem dolorosas ou não, de acordo com os comportamentos e emoções.
- Educar o paciente sobre o funcionamento do corpo com e sem dor.
- Educar o paciente sobre os movimentos.
http://www.jdentaled.org/cgi/reprint/65/12/1378
http://www.bme.sunysb.edu/people/faculty/docs/pkhalsa/biomechanics_of_pain.pdf
Muito interessante de estudar e pesquisar.
Até a próxima
Pada






Muuuuito bom o post Artur! Adoreeii. E o filme matrix realmente tem muito a ver. O filme é ótimo, mas se eu soubesse disso antes, teria gostado mais. ehhehehe
Beeeijos
Parabéns pelo post! A dor crônica ainda é um desafio na prática para muitos fisioterapêutas, incluvise para os que atuam na área trabalhista! Vale mesmo a pena discutir o assunto!!
Olá luana. A dor crônica é um desafio principalmente porque os nossos resultados são desafiados o tempo todo. A gente acha q consegue fazer a mesma coisa com todo mundo, isso é uma grande falha. Sempre que se sentir a vontade comente. bj
Olá Artur! Estou adorando o blog, seus artigos são otimos! Este em especial caiu na coincidencia do que estou estudando, influenciada pelos artigos de Melzac começo a achar que algumas tecnicas tidas como articulares, como o Mulligan por exemplo, talvez tenham o seu grande pilar na fisiologia da dor. Parabéns e obrigada pelo blog e dedicação. Bj. Catia
olá Catia. Obrigado por passar aqui. As técnicas de terapia manual como o mulligan são ditas articulares sim e vão continuar desta forma. A grande questão é sempre acharmos a mesma coisa, ou seja, que se a dor melhorar com a técnica articular a gente é induzido a acreditar nisso. Mas as pessoas esquecem que antes da articulação vem a pele, por ex, que tem fibras nervosas capazes de controlar a dor. Nos últimos anos várias pesquisas em terapia manual estão se baseando na neurofisiologia da dor pelo estímulo de várias estruturas e assim criando um modelo de compreensão dos vários mecanismos de dor. Apareça sempre. bjs