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Textos com Etiquetas ‘medo da dor’

Parkinson Dói?

16, agosto, 2010 12 comentários

A dor em pessoas com Parkinson não é exatamente causada pela doença em si. Os problemas que a doença causa são os que mais podem provocar dor. Mas, isso é muito pouco falado. Então caro (a) leitor (a) assíduo (a) do Blog da Dor Crônica, bote a boca no trombone e infernize a vida dos seus colegas com essa super revelação.

Os neurônios na doença de Parkinson começam a envelhecer rapidamente até morrem sem muitas explicações. Esses neurônicos se localizam na Substância Negra no mesencéfalo. Porque se chama substância negra? Duas explicações distintas: 1. porque realmente ela é escura e 2. Porque ninguém sabe o que realmente tem lá. A número 1 parece mas sensata e ela é realmente escura. A dopamina é o neurotrasmissor em falta. Notem que na foto abaixo a substância negra simplesmente sumiu no mesencéfalo a esquerda.

Todo mundo conhece os 3 pricipais sinais de Parkinson: tremor, movimentos lentos e rigidez, que estão ligado a nossa via de controle dos movimentos. Com movimento mais descontrolado, temos mais lentidão, enrijecimento, dificuldades para escrever, perda da coordenação, mobilidade e equilíbrio do corpo.

Lembrando que toda dor atinge os músculos. Então, os problemas no movimento provocam dor e a dor provoca problemas no movimento. Será uma Questão Tostines?

Nas pesquisas, a lentidão e endurecimento estão mais ligados a dor do que o tremor. Muito justo isso, pois o tremor contrai pouco o músculo em repouso, apenas em repouso. Sempre tem alguém que diz: “pô, tá com Parkinson?” quando levanta um copo dágua tremendo. Ai você tem que gastar sua energia e saliva e explicar para a peça rara que o tremor do Parkinson é de repouso e não durante o movimento. Acontece comigo direto.

Como a doença de Parkinson tem uma tendência a atingir pessoas mais velhas, então todas as dores que são comuns no envelhecimento atingem as pessoas com Parkinson.

Algumas são as causas:

:. Dor Musculoesquelética – dor nos músculos e articulacões por rigidez, perda do movimento espontâneo, postura ruim (curvada para frente). As regiões como os ombros, quadris, lombar e pescoço são as mais dolorosas. A imobilidade provoca contraturas nos músculos e tendões, mantendo tudo encurtado.

:. Dor neuropática – dor nos nervos, que podem estar comprimidos. É mais comum acontecer na região lombar, causando compressão no nervo ciático. Existe mais imobilismo e posturas sustentadas.

:. Dor com Distonia – contraturas ou espasmos fortes causados pela posturas sustentadas, movimentos repetitivos, sendo de origem neurológica. Isso pode afetar braços, pernas, troco, pescoço, face, lingua, mandíbula, músculos da mastigação e cordas vocais.

:. Dor por agitação excessiva – isso se chama Acatisia, o Wikipedia me salvou. É como se a pessoa tivesse uma inquietação sem sossego e que inicialmente foi descrita em pessoas que não conseguiam sentar. Isso mantem os músculos em contração constante.

:. Dor Central – dor por lesão no sistema nervoso central. É a mais sinistra de todas e a que tem relação direta com a doença, apesar de ser rara de acontecer. A morte dos neurônios é que provavelmente causam um curto circuito no cérebro.

:. Dor associada a Depressão – existe um grande risco de pessoas com Parkinson terem depressão e que pode iniciar por causa da dor.

Essas dores geralmente são tratadas com medicações, fisioterapia, acupuntura, exercícios. Porém, quando associamos o tratamento com a saúde mental ou numa equipe multidiscilinar os resultados são melhores. Hoje alguns médicos colocam eletrodos na medula e no cérebro para controlar a dor.

Sites para pesquisar sobre Parkinson:

http://www.pdf.org/en/winter04_05_Pain_in_Parkinsons_Disease

http://fitmed.blogspot.com/2010/04/cientistas-comecam-ligar-os-pontos-do.html

http://parkinsonlimonada.blogspot.com/

Enfim, respondendo a pergunta: Parkison Dói!

Abraços

Artur Padão Gosling

O MEDO DE SENTIR DOR – ALGOFOBIA

25, fevereiro, 2010 2 comentários

Para complementar a postagem sobre Cinesiofobia (medo de se movimentar e de se machucar) na dor crônica, falaremos de algo tão ruim quanto à sogra do Dicró do Fantástico. A chamada Algofobia ou medo de sentir dor é um comportamento natural do ser humano que acaba se tornando anormal quando a pessoa tem dor crônica. A grande questão do momento é sobre a dor crônica provocar vários tipos de medo na pessoa, como a Algofobia e a Cinesiofobia. Ter medo de injeção é normal, quem não tem? Ter medo de sair de casa pela dor é anormal e causa sofrimento. Será então a Algofobia um inimigo ou aliado na dor crônica?

Sofrer por sentir dor também é uma reação anormal e provoca um comportamento chamado evitação, onde a pessoa simplesmente evita sentir dor, ou seja, qualquer coisa que provoque dor está fora de cogitação. Então, a pessoa fica cada vez mais restrita as suas atividades cotidianas e vai desenvolvendo outros medos como a própria cinesiofobia. Existe uma série de medos bizarros e engraçados para quebrar o gelo.http://souddd.wordpress.com/2008/05/12/fobias-estranhas-e-engracadas/ e tambémhttp://www.wordinfo.info/words/index/info/view_unit/2723/?letter=a&page=1&spage=1&s=phobias

As fobias e mais fobias que inventamos se juntam a essa grande receita da dor crônica virando um prato cheio de sofrimento, angústias, ansiedade, depressão, irritação e por ai vai.

Mas, a Algofobia tem o seu momento Dr. Evil – aceleração do coração, falta de ar, suor, boca seca, sensação de desmaio, perda do próprio controle, sensação de morte – são simplesmente sintomas associados a uma crise de ansiedade, suficiente também para provocar mais dor.

Para tratar qualquer fobia necessita de mudanças de comportamento, mudar a forma de agir e enfrentar o medo da dor, que fica memorizado no cérebro. As pesquisas mostram que existem áreas no cérebro que funcionam demais e outras que funcionam menos quando temos dor crônica, principalmente as áreas envolvidas na reação do medo.http://pessoas.hsw.uol.com.br/medo.htm

No nosso cérebro, a amigdala é a responsável pelas sensações e situações de medo que passamos. A amígdala envia essas informações a outras áreas do cérebro para que tudo funcione bem quando necessário. Mas, descobriu-se que o Hipotálamo tem um papel mais importante e que funcionam como uma sirene de alerta para essas situações.http://www4.usp.br/index.php/ciencias/17336-pesquisa-sugere-caminho-diferente-do-medo-no-cerebro .

As pesquisas também sugerem formas de tratar esse medo:

Hipinose – ajuda a reprogramar o subconsciente que pode estar vinculado a algofobia.

Psicoterapia – ajuda na mudança de comportamentos que causam ou valorizam o medo da dor.http://danielacarneiro.com/psicologiadomedoedador.aspx

Remédios – antidepressivos e outros. Não sou a melhor pessoa para falar deles.

Programa de exercícios para a extinção da dor – proposto por Herta Flor ajuda a mudar as áreas de ativação anormais no cérebro para modificar as reações da dor. http://www.nature.com/embor/journal/v3/n4/full/embor178.html

Acho que para melhorar a leitura deste post:

cinesiofobia pela dor

teoria da neuromatrix da dor

teoria da caixa de espelho.

É isso ai

abraços

Artur Padão Gosling – Pada

CINESIOFOBIA pela Dor

5, novembro, 2009 7 comentários

Para facilitar – Cinesiofobia = medo de se movimentar ou de uma nova lesão.

A dor crônica, por ser muitas vezes bastante limitante provoca reações físicas e psíquicas. Uma delas está relacionada ao medo de se movimentar ou de se machucar (Cinesiofobia). Esse medo é um comportamento natural que acaba de tornando anormal, ou seja, por causa da intensidade e / ou por causa da persistência da dor ao longo dos meses ou anos, a pessoa cria uma armadura de proteção. Formada por músculos e mantida pelo comportamento anormal, essa carapaça (armadura) é como uma tensão muscular involuntária, a pessoa não consegue apertar o botão off (desligar) do corpo, fica em alerta vermelho o tempo todo e não relaxa mesmo quando resolve descansar. Se preocupa com todas as coisas ao redor, prestando atenção naquilo que tem ou não condições de fazer com seu corpo. Muitas vezes não consegue diferenciar isso e acaba se machucando.

A pessoa evita movimentar-se, evita ficar em qualquer postura ou posição do corpo que piore ou possa aumentar a dor ou que ela ache que exista a possibilidade de se machucar. Isso provoca muita limitação no dia-a-dia, que é basicamente usar o corpo nas tarefas de casa, trabalho, esportes, cuidados pessoais, lazer. Além de evitar o movimento, sente-se vulnerável a dor e a uma possível lesão. isso também provoca um funcionamento inadequado dos músculos, onde alguns não conseguem contrair corretamente e outros não relaxam havendo desequilíbrio, muitas vezes de difícil organização.

Interessante é que isso tem tudo a ver com a definição de dor da Associação Internacional “experiência sensitiva e emocional desagradável, associada à lesão tecidual real ou potencial, ou descrita nos termos de tal lesão”, ou seja, tem que sentir incomodar e ser desagradável e pode ter ou pode vir a ter uma lesão ou falamos que tem e na verdade não tem, só dói mesmo.

Quanto menos você se movimenta, mais imobilizado – inativo – restrito - cansado fica. Antes o problema era só dor, agora para animar mais a festa terá o descondicionamento físico geral. Pra piorar, mais dor e mais limitação, formando um ciclo vicioso grave e de prognóstico (futura evolução do seu problema) ruim. Siga a sequência abaixo:

DOR → MEDO DE SE MACHUCAR → MEDO DO MOVIMENTO →  MENOS MOVIMENTO → INATIVIDADE E IMOBILISMO → DESCONDICIONAMENTO FÍSICO E MENTAL →  DOR AUMENTADA E DISTORCIDA

Imaginem só como não fica a cabeça da pessoa com cinesiofobia, em curto circuito total, pra quem gosta de fazer exercício então é difícil mesmo. Sem falar na ansiedade que isso provoca.

O tratamento da dor crônica pode ser muito prejudicado por causa disso, pois perde a participação ativa do paciente, o auto controle de sua dor e a dificuldade na realização de exercícios.

Outro aspecto é quando nós, profissionais de saúde (principalmente médicos e fisioterapeutas), restringimos e limitamos nossos pacientes nas suas atividades do dia-a-dia sem critérios ou conhecimento para tal. Associamos a dor com outros problemas de saúde ou exames de imagem, que frequentemente mostram pouca ou nenhuma associação com a dor crônica. Quando detonamos nosso paciente assim, causamos uma iatrogenia verbal, ou seja, pioramos sua condição de saúde apenas falando com ele. Mesmo que sem querer, provoca mais limitação e dor.

Lembro de uma paciente que eu atendia no nosso grupo de dor do Hospital dos Servidores, que se passasse alguém perto, principalmente pelas costas, ela dava um pulo e gritava alto, pensando que alguém poderia machucá-la ou aumentar sua dor pelo simples fato de tocar nas suas costas. Mesmo que este seja apenas um caso, a Cinesiofobia é mais comum do que a gente imagina.

As pessoas nestas condições seguem mais ou menos dois padrões:

  1. Costumam evitar os movimentos e posturas que provocam dor ou possível lesão, ficando mais inativos.
  2. Mesmo com dor, nada de ficar parado. Entretanto em algum momento a resistência do corpo e também da própria dor vai diminuindo, tornando-se o exemplo acima.

O futuro das pessoas com cinesiofobia é o aumento da dor e a diminuição da resistência do corpo (condicionamento), se não fizerem algum tratamento. Para os profissionais que trabalham ou gostam de estudar dor crônica, existe uma escala em processo de adaptação e validação para o português do Brasil chamada Escala Tampa para Cinesiofobia http://www.scielo.br/pdf/aob/v15n1/a04v15n1.pdf.

Outro artigo:

http://aje.oxfordjournals.org/cgi/reprint/156/11/1028

Esta escala, bastante simples inclusive, traz questões importantes sobre o comportamento de se evitar os movimentos e posturas que aumentam a dor, expectativas de tudo ser o pior possível e que o medo e a dor irá tornar a pessoa inválida (catastrofização), atitudes, reações e também o que a pessoa entende sobre suas limitações pelo medo da dor e movimento.

Claro que tudo isso é muito pessoal e dependerá das reações e comportamentos de cada um e também do impacto que a dor provoca na vida daquela pessoa. Não são todas as pessoas com dor crônica que tem medo de se movimentar. Mas vale a pena observar isso, pode fazer muita diferença no tratamento.

Os grandes pequeninos também eram sábios:

mm_yoda

Mestre Yoda. “a mente controla o corpo, pensamentos negativos, raiva e MEDO levam ao lado negro da força (dor)”. E tem gente que diz que star wars não serve pra nada. Tsc tsc.

Kuato,George

Mestre Kuato. “abra sua meeeeeeeeeeeente para mim”. Grande ser sábio mostrava que a mente aberta era sinônimo de controle do corpo = controle da dor.

até

Pada