Sempre vemos todos falarem sobre o tratamento da dor ser multi daqui, inter dali. Inclusive nos congressos, todos afirmam isso.

Então vamos a primeira pergunta: se é o melhor, porque a maioria dos profissionais que tratam dor não trabalham de forma multidisciplinar?
Segunda pergunta: se é o melhor modelo de tratamento da dor crônica, porque os pacientes não são tratados lá?
Terceira e última pergunta: será que estamos com isso contribuindo para a dor ficar crônica?
Quantas perguntas, quantas emoções. Vou tentar uma resposta para cada uma delas, mas aviso logo que minha sinceridade pode estar acima da lei.
Para chegar as respostas, vamos entender o que é o tal centro multidisciplinar da dor que tanto é falado e comentado.
O Centro Multidisciplinar da Dor é um local onde profissionais de saúde de diversas áreas trabalham em equipe com objetivos em comum: o tratamento da dor, qualidade de vida, retornor as atividades. Que fique muito bem claro que para ser multidisciplinar, como o próprio nome diz, vários profissionais diferentes são integrantes. Falo isso porque conheço vários centros desses, principalmente em SP que possuem na equipe somente médicos ou somente fisioterapeutas.
Grandes Equipes, Grandes Profissionais. Dr. Mouse em ação.


![MK803capa[4]](http://dorescronicas.com.br/wp-content/uploads/2011/01/MK803capa4-212x300.jpg)
com os créditos de http://goldtuganime.biz/forum/viewtopic.php?f=151&t=1884
Para que o trabalho multidisciplinar possa realmente ocorrer, todos precisam:
Trabalhar no mesmo local
É altamente importante para conhecer melhor os integrantes da equipe, trocar experiências, poder ver ao vivo e não no youtube o colega atendendo. Além disso, onde mais o paciente poderia ser atendido ao mesmo tempo por um fisioterapeuta, médico, psicóloga e afins?

Compartilhar experiências
Numa equipe, a equipe tem a palavra final. A visão de cada profissional sobre o paciente e sobre a dor do paciente é resultado de experiência. Claro que, poucos são os profissionais que “rayalmente” abrem seu coração para outro (no sentido profissional).

Falar a mesma língua
Não é todo mundo falar português ou inglês não tá? Muito menos Klingon. É simplesmente todos os profissionais falarem conceitos em comum, entender sobre dor, saber falar de cada área na saúde que trata dor e principalmente, depender do colega para o melhor resultado. Ex, o fisioterapeuta que se dispõe a trabalhar assim precisa saber, entender e se interessar pelo trabalho do médico, psicóloga, dentista, etc.

Escutar o chefe, mesmo que você seja contra
Não precisa nem comentar né? A frase já diz tudo.

Para aqueles que acham difícil lidar com seu chefe, não faltam dicas na internet.
http://www.administradores.com.br/informe-se/entrevistas/carreira-recursos-humanos/como-lidar-com-um-chefe-dificil/4/
http://picaroponto.com/artigos/como-lidar-com-chefe-dificil
http://www.blogdamulher.com/como-lidar-bem-com-o-seu-chefe/
Para montar um centro desses é necessário muito esforço e dinheiro, se for particular. Ter pessoas interessadas em sua causa e que vão apoiar a iniciativa. Agora, se for montar um no hospital, cuidado com os abacaxis que serão criados pelos seus ilustres colegas do hospital.
Para encerrar, vamos as respotas:
Os profissionais que tratam dor não trabalham de forma multidisciplinar porque não estão afim, porque dá muito trabalho, porque são formados para serem individualistas e, o que eu mais acredito, é que não recebem instruções ou ferramentas para se trabalhar em equipe. Também, na verdade, são poucos os centros de dor existentes, por ex, no RJ públicos (Pedro Ernesto, Fundão, INCA, Servidores) e apenas 1 privado (Centro Multidisciplinar da Dor – www.centrodador.com.br)
Os pacientes não são tratados lá porque não sabem que existem esses centros. Alguns são iludidos pelos profissionais de saúde que prometem curar ou resolver o problema. Porque ainda os profissionais de saúde trabalham dentro de um modelo onde acham que a dor é apenas resultado de doenças e patologias (modelo biomédico). Para quem não sabe, esse modelo já foi substituido a mais de 30 anos e continua por ai insistindo.
Estamos sim contribuindo para a dor crônica. Eu acredito que a falta de comunicação entre os profissionais e os pacientes é um dos grande fatores para a cronificação da dor. Quem está errado? Ambos, mas talvez seja melhor entender o problema do que criar mais problema. Só vejo reclamação, inclusive minha.
Então, os pacientes que sofrem de dor crônica devem ser tratados em Centros Multidisciplinares de Dor. Todo mundo acha.

Lembrar o seguinte: tratar a dor não é tratar lesão. Tratar a dor é tratar uma pessoa que pode ficar doente por dor. Quando entendermos essa diferença, talvez as coisas melhorem.
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Fiquem Serenus.
Artur Padão Gosling – Pada