Nada melhor para expressar minha felicidade do que alcançar mais de 100.000 acessos no blog da dor crônica.

Com toda e a devida educação, retorno no estilo “Cavaleiro que diz NI” com força total. Em meio ao conturbado rock n rio, onde estilos grotescos se misturaram indevidamente ao bom, velho e atual rock, a educação musical atual brasileira me causa uma extrema síndrome dolorosa.

Ao som de system of down, um dos pontos cruciais no tratamento das dores crônicas é através da educação. Porém, para que isso tenha um resultado positivo, precisamos ter maneiras de utilizar essa ferramenta.
A educação é um processo de ensinar e aprender de forma constante. O que cada um de nós aprende e pensa, terá um impacto ao longo da vida. Lindo né?
Pois muito bem, um problema de saúde como a dor crônica vai acumulando aprendizados e ensinamentos negativos para uns e positivos para outros. Isso dependerá do significado que a dor terá para cada um de nós. Lindo né?
– Exemplos positivos: “posso receber mais atenção por causa da dor”, “estou aposentado e recebendo benefício por causa da dor”.
– Exemplos negativos: “não me sinto capaz de fazer nada por causa da dor”, a dor mudou a minha vida e se não fosse por ela tudo estaria bem”.
Independente do exemplo, a perda inicial é muito pior do que o ganho a longo prazo.
Como usar então a educação para manejar a dor?
– Primeiro de tudo: devemos conhecer os pacientes com dor crônica.
– Segundo de tudo: devemos continuar conhecendo os pacientes com dor crônica e procurar saber se existe a compreenção do problema dor crônica.
– Terceiro de tudo: depois que você conseguiu as difíceis tarefas acima, é hora de pensar se você é capaz de mudar o curso da doença dor crônica através da educação.

Pensou, consegue? Então vamos lá para o abraço.
As pesquisas atuais tentam estudar o que devemos ensinar e de que maneira isso facilitaria o entendimento do problema dor crônica. Já de cara, aviso que ensinar sobre os músculos, discos, biomecânica da coluna não acrescentam em nada para os pacientes com dor crônica. E porque? Porque todos os profissionais que esse paciente se consultou falam a mesma coisa, e ele continua sentindo dor. Porque a anatomia, biomecânica e as lesões não explicam as dores crônicas.
Então, ensinar e aprender sobre como o sistema nervoso sensível provoca dor tem mais relevância. Explicar sobre os comportamentos, crenças e atitudes anormais que a dor provoca, fazem os pacientes terem outras explicações sobre o problema, e com muito mais relevância para suas vidas.
Calma, calma mochileiro galáctico. Nem tudo está perdido.

Algumas maneiras de ajudar os pacientes
Explicando sobre a dor crônica
Cada vez mais, vemos que o sistema nervoso sensível funciona como um alerta constante, produzindo dor mesmo que não exista nenhuma outra lesão. Com isso, o cérebro entra em curto circuito e passa a gostar de produzir dor. Com isso, a pessoa aprende a sentir dor. Neste caso, o mínimo de estímulos como movimentos, posturas, estresse, ansiedade, irritação ou medo causam mais dor.

Explicando sobre as crenças
Grande parte dos pacientes com dor crônica se acham incapazes de exercer suas atividades diárias. Isso se chama baixa auto eficácia, ou seja, sentem-se incapazes de fazer as coisas. Sentir-se incapaz significa que ser capaz é possível, basta ver isso acontecer e se testar nas atividades, encontrar o limite e mandar brasa.
Muitas vezes, restringem suas atividades por medo e evitação da dor. Se isolam em casa, não vão mais ao cinema, deixam de fazer aquilo que gostam. Como vencemos o medo? Encarando o medo de frente, vendo que mesmo sentindo medo, as coisas podem ser boas e acontecer sem dor.
E mais uma crença, a cura do problema. Não existe cura para a dor. Como curar algo que foi feito para nos proteger? Como curar algo que pode ficar memorizado para sempre, como algo traumático? Meu caro (a) colega da saúde, seja corajoso (a) de falar isso, sem muito bibelô.

Explicando sobre o comportamento doloroso
Na dor crônica, a maioria dos pacientes precisa mostrar que a dor é “realmente real”. Tantos desacreditaram, tantos disseram que era “psicológica”. Chamamos esse excesso de movimentos, posturas, gestos, falas, gemidos, expressões corporais de comportamento doloroso. Isso pode ficar presente mesmo que a dor tenha diminuído de intensidade. Outro ponto é pensarmos que as reações a dor não podem ser as mesmas na dor leve e na dor intensa. Se as reações forem as mesmas, isso precisa ser percebido pelo paciente e modificado.

Aprendendo a lidar com a dor
Cada um de nós lida com a dor de maneiras muito distintas. Os pacientes com dor crônica, na maioria das vezes, lidam com a dor de forma muito ineficaz e passiva. Um exemplo disso é não fazer mais nada quando a dor está presente, esperando ver o que acontece, ao invés de ir ao médico ou se cuidar. Outro exemplo é usar remédios por conta própria sem consultar um médico, sem saber os prejuízos que isso pode causar. E mais um exemplo, é parar as atividades diárias para evitar o aumento da dor, diminuindo cada vez mais a capacidade do corpo de se movimentar. É bom por um tempo e ruim a longo prazo. Manter-se ativo na dor crônica é parte integrante do tratamento.

Aprendendo a encarar o medo e evitação
Medo encaramos de frente mesmo, não tem jeito. Mas, podemos ser mais eficientes nisso. As situações de medo podem ser encaradas de maneira gradual, aos poucos, respeitando-se o tamanho do medo. Para isso, o profissional precisa saber o que está causando medo. Se o medo for de movimentos e de se machucar, devemos ser muito cautelosos ao expor. Os movimentos podem ser feitos sem dor, com outro foco ou dentro dos limites. O medo mantém o corpo em alerta constante e preparado para lutar, fugir ou proteger. A dor não precisa causar medo o tempo todo.

Enfim, a educação é um forte aliado para o tratamento das dores crônicas. Não é a toa que vem ganhando espaço devido. Usar folhetos, aulas, livros, grupos, campanhas ou um bate papo pode ser boas maneiras de entender o problema.
Alguns exemplos simples:
O mapa da dor – http://www.mapadador.com.br/mapa-da-dor/o-que-e
Pain education – http://www.pain-education.com/
Seja criativo, use metáforas, use uma linguagem simples e divertida.


Abraços Educados
Artur Padão Gosling – Pada