Arquivo

Textos com Etiquetas ‘dor’

Um abraço doloroso

16, fevereiro, 2012 Sem comentários

Quem diria que um abraço poderia ser tão doloroso a ponto de ir para o hospital? O fato aconteceu na Macedônia, publicado pelo Medscape em 2009. Eu já tinha este artigo há muito tempo, mas esqueci de publicar aqui antes.

Para quem não tem a menor idéia de onde fica a Macedônica, fica perto da Grécia, Bulgária e outros países.

Jaucemira Brasil das Dores, a Garota do Abraço de Urso, estava calmamente andando no parque quando avistou sua melhor amiga Dorantes dos Nervos. Sem pensar duas vezes Jau Jau (apelido da Jaucemira) partiu para cima da Dorr (apelido da Dorantes) e deu mais um dos seus “conhecidos” abraços de urso. Só que desta vez, algo estranho aconteceu. Dorr começou a ter dores intensas no abdomen e foi levada imediatamente para o hospital. Lá, os médicos a examinaram e contataram um cisto gigante no fígado, o qual havia se rompido com o abraço de urso.

Jau Jau, se sentindo culpada, ficou com a amiga o tempo todo. Conseguiu perceber que seu super abraço era na verdade meio exagerado, mas era uma forma de expressar seu sentimentos pelas pessoas que gostava. A mídia local começou a escrever e comentar sobre a “Garota do Abraço de Urso” e Jau Jau virou uma estrela em menos de 1 dia, igual a Luiza que voltou do Canadá. Seguindo a tradição brasileira, Jau Jau logo estava sendo convidada a participar o BBM (Big Brother Macedônia), e para posar nua abraçando um urso peludo (que novidade). No fim, acabou sendo considerada a Musa do Abraço de Urso e se entregou aos atos religiosos.

Já a história de Dorr tomou um caminho diferente. Precisou fazer uma cirurgia para retirar o cisto, ficando mais duas semanas internada no hospital. Conseguiu se recuperar bem, sem nenhum problema, e resolver contar sua experiência do abraço de urso escrevendo um livro. Nesta bela obra científica e moderna, o livro “Abraços Doloridos” foi o livro mais vendido apenas na rua em que morava.

Abraços de urso podem ser doloridos e machucar mesmo. Existem diversos blogs e fóruns nos Estados Unidos aonde pessoas descrevem suas experiências após um caloroso abraço de urso. Falam de fraturas nas costelas, contraturas musculares, dores no peito, rompimento dos pontos de silicone no peito. Sinistro.

Vamos conferir alguns abraços de urso dolorosos:

Mata Urso – provoca dores no pescoço (abraço copiado do MMA)

Acorda Urso – provoca dores de cabeça e zumbido (o pinguím é da beija flor)

Chave de Pé de Urso – provoca dores no pé e joelhos (abraço copiado do MMA)

Impossível Urso – esforço muscular intenso (não dá para abraçar pela frente – ela é da Ilha da Megan Fox)

Tarado Urso – noites carentes (Esse joga Call of Duty o dia todo)

 

É isso ai. Pense antes de dar um abraço de urso. Pode ser um tanto dolorido.

Respostas do super quiz:

- – a expressão “dor de cotovelo” vem dos bares e boemia, onde os homens ficavam bêbados no bar pelo fora que levaram de suas mulheres, ficando com os cotovelos apoiados na mesa por horas.

saiba mais na postagem: http://dorescronicas.com.br/a-inexplicavel-dor-de-cotovelo/

- – todas as pessoas que tem artrose sentem dor? Não.

Abraços de urso.

Artur Padão Gosling – Pada

 

UM SISTEMA NERVOSO, SENSÍVEL E DOLORIDO

18, janeiro, 2012 5 comentários

No auge do verão do Rio de Janeiro, começa a temporada de caça ao bronze perfeito.

É claro que, alguns que nunca entraram no mar vão passar o dia sem usar protetor e pedem para se queimar, ainda mais com o espetinho de camarão com limão. Não esqueçam do mate com biscoito globo.

 

 Todos nós já queimamos o corpo no sol: a pele fica sensível até no vento e no toque na pele, parece que o hidratante não adianta e dói pra burro até mesmo movimentando o corpo. É exatamente isso o que acontece com o sistema nervoso de pessoas com dor persistente: fica sensível como a queimadura de sol. Mas, diferentemente da queimadura, algumas semanas não são suficientes para “cicatrizar e renovar” o sistema nervoso.Isso pode ser marcante para nossos neurônios (ovos estrelados) e ficar memorizado para sempre, ou seja, ser sensível e ter dor persistente por um longo tempo.

Então, pessoas com dor persistente memorizam que a dor faz parte do usual e da rotina de funcionamento do cérebro. Puro curto circuito. Adianta desfibrilar? Coisas que antes nunca doiam, agora vão doer: sair de casa, comer, trocar de roupa, ir ao banheiro, brigar com a namorada, ficar nervoso e por ai vai.

 

Quando temos alguma dor no corpo, nosso sistema nervoso entra em alerta. Ficamos meio que preparados para o que pode acontecer:

1. Franguinho (ter medo)

2. He-man (encarar)

3. Capitão planeta (proteger)

4. Dr Evil (fugir)

Se a dor persiste, o alerta persiste. Se temos 10 anos de dor, temos 10 anos de um sistema nervoso sensível e em alerta para o que der e vier. Há pelo menos 2 décadas diversos estudos científicos trazem essas “novidades”, mas imfelizmente a maioria das pessoas só sabem que é novidade quando estão com dor crônica, e olhe lá.

 Algumas frases típicas que já ouvi ao longo do tempo:

* “não é possível, eu só andei 5 minutos no shopping com meu javali e tive uma crise nas cadeiras”

- – fazia horas de ginástica (deduro logo)

* “eu apenas peguei uma simples borracha no chão e piorei tudo”

- – pode acontecer até com uma caneta

* “minha mãe me disse que estou meio volumosa por causa dos remédios para a dor, chorei a tarde toda e entrei em crise”

- – complexo para o resto da vida (não há dúvida)

 * “hummm, acho que esqueci o ferro ligado, fiquei nervosa e tive uma crise de dor de cabeça”

- – vida sobre estresse (…?)

Sempre há um motivo para a piora da dor, não necessariamente por causa de esforço. No sistema nervoso sensível, mínimas situações provocam dor.

Por exemplo, enquanto todos acham que a dor lombar crônica é causada por artrose e hérnias, o fisioterapeuta esperto / malandro / carioca (HEHEHE) / anos de praia / vai pensar que a sensibilização é infinitamente mais importante que a micro hérnia. Agora, o que sensibiliza pode estar por debaixo dos panos.

 

* Sistema Nervoso Lindo e Maravilhoso

Pessoas que não tem dor persistente, não são irritadas ou estressadas, estão sempre de bem com a vida, tudo é azul, bem e zen. Meu oposto. Tipo assistir cavalos correndo na praia e gaivotas felizes voando.

 

* Sistema Nervoso pouco Sensível

A vida corre dentro das capacidades e possibilidades. A dor está por ai, mas muitas vezes não é suficiente para atrapalhar ou irritar. Tipo assistir Malhação ou Jovens Guerreiros Tatuados de Beverly Hills

* Sistema Nervoso bem Sensível

A vida se limita a apenas cuidar da dor. Muitas vezes, pacientes com dor apenas se tratam, não fazem coisas que gostam e ficam bem limitados e irritados. Tipo assistir Sex and the City ou Glee.

* Sistema Nervoso muito Sensível

Repouso, remédios, drama, sofrimento e irritação, e não fazer mais nada. Tipo assitir o BBB.

E isso tem solução? Não é como ganhar na mega sena. Meu amigo, minha amiga…seria como descobrir água no sol. Mas existem sim maneiras de melhorar essa sensibilização excessiva.

Vamos as dicas?

 

  1. Conheça sobre seu problema, saiba o que provoca e alivia sua dor
  2. Não deixe a dor ser o guia do seu dia a dia
  3. Conheça seus limites e não ultrapasse
  4. Trate a dor quando está leve (menos sensível). Se deixar pra depois o bicho pega
  5. Remédios podem ajudar, mas sozinhos enxugam gelo
  6. Pense menos na dor. Quanto mais você pensar na dor mais a dor vai querer que você pense nela
  7. Tenha controle sobre a quantidade das atividades que você pode fazer para evitar a dor. Se não sabe, busque ajuda de um fisioterapeuta
  8. Aprenda a lidar com a dor de forma mais positiva. Se não sabe, procure um psicólogo. Não morde
  9. Resolva seus problemas de saúde. Se não sabe, um médico pode ajudar

 

Dicas simples que podem fazer diferença. A fisioterapia ajuda? Medicina? Psicologia? Todos ajudam. Porém, se você não fizer sua parte, quem vai fazer por você? Eu com certeza não.

Abraços Dessenssibilizados…..
Artur Padão GoslingPada

TENS dor?

6, dezembro, 2011 10 comentários

Mais conhecido como “choquinho” ou “Tensis” para os íntimos, o TENS é uma ferramenta polêmica desde sua criação. Muito utilizada por fisioterapeutas, o TENS (Estimulação elétrica transcutânea) possui pouca evidência de ser um bom tratamento para dores crônicas de diversos tipos. Um trabalho recente pode ser conferido no blog do fisioterapeuta Lazaro Teixeira de Balneário Camboriú. Aliais, que praia hein?

http://www.fisioterapiaemevidencia.com/2010/01/tens-para-dor-de-origem-neurologica.html

Da mesma forma que todos eu me pergunto: porque “TENS” ainda o TENS para o tratamento de dores?

Da mesma forma que todos eu continuo me perguntando: porque mesmo sem efeitos na dor crônica o TENS ainda é usado no tratamento?

Se você é paciente, devia perguntar isso ao seu fisioterapeuta e reclamar com seu médico a indicação.

O TENS possui lindas explicações, porém com resultados fracos na prática.

TENS explicações? Sim. A corrente elétrica bloqueia os impulsos dolorosos na nossa medula. Porem, não funciona em todo mundo. Aliáis, quase não funciona na prática. Na dor crônica precisamos mudar o funcionamento do cérebro e o TENS não faz isso.

TENS certeza? Claro que não. Certeza só da nossa morte em algum momento e da ação da gravidade no corpo.

TENS dúvida? Eu também. Mas, os convênios adoram. É muito prático deixar 10 pacientes fazendo TENS e atender outros 10. Não é?

TENS problema? Sim. A maiora dos aparelhos são desregulados, quase nenhum paciente faz a dosagem correta, é usado de maneira indiscriminada, o efeito não é duradouro, possui grande efeito placebo. Quer que eu continue?

 

TENS melhor? Claro. Para a dor crônica, o exercício ganha de lavada.

TENS pior? Claro. Não fazer nada e esperar para ver o que acontece.

TENS solução? Hummmmmmmmmm. Fazer um bolo?

 

TENS dor? Não trate com TENS. Mas, alguns paciente ficam bem. Vai entender…

TENS necessidade de ser radical? Todos temos um dia de fúria. HÁ!

TENS um abraço? Claaaaaroooo!

 

Abraços T…

Artur Padão Gosling – Pada

 

 

 

Categories: Sem categoria Tags: , ,

Caçando explicações para a dor

28, novembro, 2011 4 comentários

Enfim, de volta das areias cariocas. Neste tempo nublado que o rio de janeiro enfrenta, nada melhor do que falar sobre dor para aliviar o estresse.

Dentre as várias dificuldades que a dor provoca, buscar explicações para tanta dor é meio que uma caça ao tesouso.

 

Caçar explicações para a dor é como se fosse uma busca implacável pelo corpo perfeito. Parace que as vezes o cérebro se torna músculos de silicone.

Poxa, é tão fácil e simples explicar a dor através de machucados como feridas, queimaduras, hérnias e afins. Porém, como explicar que isso tudo ainda provoca dor persistente? Porque ainda acreditamos que hérnias e artroses provocam dor crônica?

Segundo uma fonte quente do paparazzo da revista Pain, as dores crônicas são responsáveis pelo maior número de consultas a profissionais de saúde nos Estados Unidos. Provavelmente no Brasil também.

 

Motivos pelo qual a dor aparece:

 

Machucados – queimaduras, feridas, hérnias de disco, lesões ligamentares e musculares, beliscões da namorada – provocam dor pois o cérebro disse que doeu, pois a pele, músculos, articulações e nervos foram machucados e enviaram essa informação ao cérebro. As vezes o cérebro não acha que merece ter dor. Isso mostra que nem todas as hérnias de disco causam dor.

 

1 x 0 . dor – a batalha naval entre o alivia e o que provoca é frequentemente perdida na dor crônica. Nosso forte de combate fica enfraquecido. Os tiros de endorfina já não fazem mais o mesmo efeito. As balas de serotonina foram todas comidas no almoço. E o GABA, nossa principal substância de alívio, virou óleo de motor.

 

Sistema nervoso sensível – quando os estímulos de dor são persistentes e importantes para a pessoa, podem deixar os nervos e medula sensíveis a ponto de ficarem menos tolerantes. Isso significa que um estímulo cada vez menos intenso provoca mais dor de forma antecipada.

 

Cérebro em alerta – da mesma forma que antes, a persistência da dor pode deixar o cérebro em estado de alerta, como se tudo fosse interpretado como dor e preparando o corpo para reagir imediatamente. O resultado disso é sentir-se em risco de ter dor ou ter mais dor o tempo todo.

 

Necessidade – muitas pessoas usam a dor de acordo com suas necessidades. Alguns exemplos vão desde evitar situações que possam provocar dor, como movimentos ou situações da vida até mesmo usar a dor para benefício próprio. Imagine alguém que passe a vida inteira trabalhando e servindo a família sem falar nada, começe a ter dor intensa. E se os papeis se inverterem, todos começarem a fazer tudo por essa pessoa? Vai voltar a servir ou querer ser cuidada? Deixo a resposta para vocês.

 

Memorizando a dor – quanto mais dor sentimos mais dor aprendemos a sentir. Nossos neurônios adoram memorizar coisas legais e também nada legais. Portanto, pessoas com dor crônica aprendem que dor faz parte do dia a dia, então memorizam a sensação dolorosa.

 

Reações exageradas – existe uma necessidade para que todos acreditem que a dor é “rayalmente real”. Por isso, pessoas com dor costumam aumentar e exagerar nas reações a dor, como gestos do corpo, posturas, verbalização intensa. Mas, isso faz parte do comportamento doloroso, não é de propósito. Mantendo essas reações, os músculos se contraem mais e mais, os nervos ficam mais sensíveis, o cérebro mais em alerta e memorizamos mais dor.

 

Emoções a flor da pele – quem disse de que depressão, ansiedade, irritação e mau humor não provocam dor? lembre-se que os músculos adoram as nossas emoções, se contraindo para atraplhar seus movimentos. Isso pode provocar mais dor do que vocês imaginam.

 

Medos e medos – para reagirmos frente a situações de medo, ativamos as defesas nucleares do corpo. Porém, a decisão final não é sua, é do seu cérebro. O teu cérebro decide mais do que você, ainda mais na dor. A dor provoca medos intensos que provocam mais dor e mais preparação do corpo. Músculos se contraem, articulações ficam rigidas, coração na boca, tensão no ar, não dá pra relaxar.

 

Finalizando com frases de parachoque de caminhão:

 

“Quanto mais dor você sente, mais dor você aprende a sentir”

 

“Dor persistente = cérebro, medula e nervos sensíveis”

 

“Com medo da dor? Tome um gole de endorfina e enfrente”

 

“Se a dor fosse meu problema, meu cérebro não teria chifre”

Abraços caçadores

Artur Padão Gosling – Pada

Cinesiofobia pela dor no atleta

14, novembro, 2011 4 comentários

Olá pessoal.

Hoje estou trazendo a apresentação realizada no Congresso da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (SONAFE) sobre a cinesiofobia pela dor no atleta. Foi em Maceió.

SONAFE Cinesiofobia dor SONAFE 2011 – artur padão gosling

Lembrando que cinesiofobia é uma expressão sobre o medo irracional e excessivo de se movimentar e se machucar.

Quem esteve no congresso, agora pode guardar no coração a aula. Bom proveito e espero que tenham voltado ao estado “normal” depois do congresso. Mas, essa é principalmente para os / as que nem apareceram por lá. HÁ!

Abraços medrosos.

Artur Padão Gosling – pada

TRATANDO A DOR COM A DEVIDA EDUCAÇÃO

3, outubro, 2011 4 comentários

Nada melhor para expressar minha felicidade do que alcançar mais de 100.000 acessos no blog da dor crônica.

Com toda e a devida educação, retorno no estilo “Cavaleiro que diz NI” com força total. Em meio ao conturbado rock n rio, onde estilos grotescos se misturaram indevidamente ao bom, velho e atual rock, a educação musical atual brasileira me causa uma extrema síndrome dolorosa.

 

Ao som de system of down, um dos pontos cruciais no tratamento das dores crônicas é através da educação. Porém, para que isso tenha um resultado positivo, precisamos ter maneiras de utilizar essa ferramenta.

A educação é um processo de ensinar e aprender de forma constante. O que cada um de nós aprende e pensa, terá um impacto ao longo da vida. Lindo né?

Pois muito bem, um problema de saúde como a dor crônica vai acumulando aprendizados e ensinamentos negativos para uns e positivos para outros. Isso dependerá do significado que a dor terá para cada um de nós. Lindo né?

– Exemplos positivos: “posso receber mais atenção por causa da dor”, “estou aposentado e recebendo benefício por causa da dor”.

– Exemplos negativos: “não me sinto capaz de fazer nada por causa da dor”, a dor mudou a minha vida e se não fosse por ela tudo estaria bem”.

Independente do exemplo, a perda inicial é muito pior do que o ganho a longo prazo.

 

Como usar então a educação para manejar a dor?

– Primeiro de tudo: devemos conhecer os pacientes com dor crônica.

– Segundo de tudo: devemos continuar conhecendo os pacientes com dor crônica e procurar saber se existe a compreenção do problema dor crônica.

– Terceiro de tudo: depois que você conseguiu as difíceis tarefas acima, é hora de pensar se você é capaz de mudar o curso da doença dor crônica através da educação.

Pensou, consegue? Então vamos lá para o abraço.

As pesquisas atuais tentam estudar o que devemos ensinar e de que maneira isso facilitaria o entendimento do problema dor crônica. Já de cara, aviso que ensinar sobre os músculos, discos, biomecânica da coluna não acrescentam em nada para os pacientes com dor crônica. E porque? Porque todos os profissionais que esse paciente se consultou falam a mesma coisa, e ele continua sentindo dor. Porque a anatomia, biomecânica e as lesões não explicam as dores crônicas.

Então, ensinar e aprender sobre como o sistema nervoso sensível provoca dor tem mais relevância. Explicar sobre os comportamentos, crenças e atitudes anormais que a dor provoca, fazem os pacientes terem outras explicações sobre o problema, e com muito mais relevância para suas vidas.

Calma, calma mochileiro galáctico. Nem tudo está perdido.

 

Algumas maneiras de ajudar os pacientes

Explicando sobre a dor crônica

Cada vez mais, vemos que o sistema nervoso sensível funciona como um alerta constante, produzindo dor mesmo que não exista nenhuma outra lesão. Com isso, o cérebro entra em curto circuito e passa a gostar de produzir dor. Com isso, a pessoa aprende a sentir dor. Neste caso, o mínimo de estímulos como movimentos, posturas, estresse, ansiedade, irritação ou medo causam mais dor.

Explicando sobre as crenças

Grande parte dos pacientes com dor crônica se acham incapazes de exercer suas atividades diárias. Isso se chama baixa auto eficácia, ou seja, sentem-se incapazes de fazer as coisas. Sentir-se incapaz significa que ser capaz é possível, basta ver isso acontecer e se testar nas atividades, encontrar o limite e mandar brasa.

Muitas vezes, restringem suas atividades por medo e evitação da dor. Se isolam em casa, não vão mais ao cinema, deixam de fazer aquilo que gostam. Como vencemos o medo? Encarando o medo de frente, vendo que mesmo sentindo medo, as coisas podem ser boas e acontecer sem dor.

E mais uma crença, a cura do problema. Não existe cura para a dor. Como curar algo que foi feito para nos proteger? Como curar algo que pode ficar memorizado para sempre, como algo traumático? Meu caro (a) colega da saúde, seja corajoso (a) de falar isso, sem muito bibelô.

Explicando sobre o comportamento doloroso

Na dor crônica, a maioria dos pacientes precisa mostrar que a dor é “realmente real”. Tantos desacreditaram, tantos disseram que era “psicológica”. Chamamos esse excesso de movimentos, posturas, gestos, falas, gemidos, expressões corporais de comportamento doloroso.  Isso pode ficar presente mesmo que a dor tenha diminuído de intensidade. Outro ponto é pensarmos que as reações a dor não podem ser as mesmas na dor leve e na dor intensa. Se as reações forem as mesmas, isso precisa ser percebido pelo paciente e modificado.

Aprendendo a lidar com a dor

Cada um de nós lida com a dor de maneiras muito distintas. Os pacientes com dor crônica, na maioria das vezes, lidam com a dor de forma muito ineficaz e passiva. Um exemplo disso é não fazer mais nada quando a dor está presente, esperando ver o que acontece, ao invés de ir ao médico ou se cuidar. Outro exemplo é usar remédios por conta própria sem consultar um médico, sem saber os prejuízos que isso pode causar. E mais um exemplo, é parar as atividades diárias para evitar o aumento da dor, diminuindo cada vez mais a capacidade do corpo de se movimentar. É bom por um tempo e ruim a longo prazo. Manter-se ativo na dor crônica é parte integrante do tratamento.

Aprendendo a encarar o medo e evitação

Medo encaramos de frente mesmo, não tem jeito. Mas, podemos ser mais eficientes nisso. As situações de medo podem ser encaradas de maneira gradual, aos poucos, respeitando-se o tamanho do medo. Para isso, o profissional precisa saber o que está causando medo. Se o medo for de movimentos e de se machucar, devemos ser muito cautelosos ao expor. Os movimentos podem ser feitos sem dor, com outro foco ou dentro dos limites. O medo mantém o corpo em alerta constante e preparado para lutar, fugir ou proteger. A dor não precisa causar medo o tempo todo.

Enfim, a educação é um forte aliado para o tratamento das dores crônicas. Não é a toa que vem ganhando espaço devido. Usar folhetos, aulas, livros, grupos, campanhas ou um bate papo pode ser boas maneiras de entender o problema.

 

Alguns exemplos simples:

O mapa da dor – http://www.mapadador.com.br/mapa-da-dor/o-que-e

Pain education – http://www.pain-education.com/

 

Seja criativo, use metáforas, use uma linguagem simples e divertida. 

Abraços Educados

Artur Padão Gosling – Pada

Sábado da Dor – Versão RJ

5, junho, 2011 3 comentários

- Ir no camarote Devassa da The Week de graça – não vale

- Passear no pão de açúcar estilo carioquinha – 35 reais (ida)

- Ver o show do Zumbi do Mato no Balroom – 70 reais (dá pra rir muito)

- Comprar o ipad 1 no brasil – 2000 reais (vale a pena)

- Acordar no sábado numa manhã fria do RJ para assistir aulas sobre dor – tem preço sim – acordar cedo numa manhã fria do RJ.

O preço de encontrar os amigos, conhecer novos, almoçar de graça e ainda assitir ótimas aulas foi o preço muito barato que pagamos. Barato até demais, tendo em vista os benefícios.

 

O Sábado da Dor é um evento gratuito promovido pela Cristália (indústria de remédios) e a SBED (Sociedade Brasileira para os Estudos da Dor) com o objetivo de divulgar informações sobre dor aos profissionais de saúde.

 

Vários artistas estiveram reunidos como Zeca Pagodinho, Peixe Grande e Forrest Gump, contando suas incríveis histórias sobre dor. Com seu público carioca fiel, profissionais como fisioteapeutas, médicos, enfermeiros e afins puderam aproveitar um ótimo conteúdo e bem descontraido, o que na minha opinião ganha muito mais a simpatia e facilitam o entendimento sobre a dor.

 

Acreditem, existem doidos que apenas estudam dor, como os que estiveram no sábado. Entre a fisiopatologia da dor e os excelentes pães de queijo no coffee break, estava uma das partes mais importantes de qualquer evento de saúde: a social. Apesar das namoradas e maridos reclamarem, é nesta hora que perdemos o medo de nos comunicarmos e quebramos a barreira de tijolos aparentemente impermeável. Calma calma!! Farra dessas só nos Caça Níqueis.

 

 

Calma, só porque o sábado da dor foi num hotel não significa que acabamos na piscina!

 

Médicos precisam conversar com outros profissionais e vice-versa. Eu sei que boa parte tem certeza que está em níveis estratosféricos acima dos outros da mesma forma que eu tenho certeza que sozinhos não resolvem nada. Por isso que existem eventos como este do Sábado da Dor, para tornar essa barreira de tijolos um objeto permeável de conhecimento entre todos, de novas amizades e parcerias.

 

Se um urso pode se tornar amigo de um rottweiller porque não um fisioterapeuta se relacionar bem com um médico?

Aos que passaram o sábado estudando, fico feliz em saber que estamos indo para um caminho de benefícios próprios e para o nosso objetos de estudo – a dor e a pessoa com dor.

 

As brigas entre os profissionais são puramente necessidades de mercado e de mostrar a vaidade pessoal. Se um profissional der um chilique porque você resolveu tornar seu paciente mais ativo pense positivo – não estou nem ai.

A união multidisciplinar faz a força – Pra frente He-Man.

Abraços

Artur Padão Gosling – Pada

 

 

Doeu no bolso….e agora?

1, junho, 2011 Sem comentários

Nada de pânico. Se dói no bolso vamos dar graças a deus que temos nocicepção e dinheiro. Se nocicepção significa todos os processos envolvidos na dor até percebermos que dói, então as facadas dolorosas no bolso são frequentes. Neste último fim de semana fui num “roque fervente”ou “night bombante” com minha namorada na Urca e percebi o quanto meu bolso doeu no fim. O pior não foi isso. Uma das convidadas, a tia fulana, resolveu mostrar o bolso e liberou drinks para todos. Ai, rayalmente virou a farra do bolso doido. Acho que ela ainda nem percebeu a dor no bolso se pagou com o cartão de crédito.

 

Enfim, a dor pode realmente furar o bolso. Os americanos gastam mais de 150 bilhões de dólares com tratamentos e afastamentos do trabalho por dor. Aqui no Brasil, os gastos não chegam perto disso. Porém, vamos fazer um cálculo simples para termos uma idéia. Se um paciente vai a um centro de dor privado fazer um tratamento multidisciplinar com um fisioterapeuta, um psicólogo e um médico, vai gastar por mês no mínimo uns 1500 reais por mês. Imagino quantos de vocês teriam essa condição. Num ano, iria gastar 18.000 reais. Não estou nem incluindo o estacionamento ou taxi, lanchinhos rápidos, cafézinho e consulta com outros profissionais. Em resumo, cuidar da saúde dói no bolso. E o meu também agradece.

Será que é melhor evitar a dor ou evitar todos os problemas que se acumulam e no final das contas são chamados de dor? Claro que sim. Todos também querem ganhar na mega sena, inclusive eu. Assim, a maioria dos problemas iria embora. A dor do bolso então…não precisava ser assim. Mas, no sangue mistureba do brasileiro, temos que sofrer até o último centavo para procurar ajuda. Pois, como brasileiro, sou auto suficiente e não desisto nunca. Se ao menor sinal de dor persistente buscarmos ajuda, maiores as chances de não ficar crônica e de furar / doer seu bolso.

Muitos são os problemas nos serviços de saúde. Por exemplo, vi no jornal ontem que o bolso do ministério da saúde doeu demais ao comprar sem necessidade aparelhos de pressão e termômetros. Ninguém merece. Tudo isso acaba se tornando nosso problema também. Acredito que mais da metade das pessoas com dor crônica no Brasil vão ter dor para o resto da vida pois nunca vão conseguir o tratamento da dor que lhes é de direito. O bolso furado impede a maioria das pessoas de ter um tratamento decente.

 

Mas, não é só o bolso paciente dos pacientes que dói. Eu, como fisioterapeuta, também furo o bolso com frequência e queimo neurônios várias madrugadas para tentar furar menos o meu bolso. Eu também tenho dor e é isso ai.

 

Então…dá pra doer menos o bolso?????

 

Claro. Basta elegermos as nossas prioridades. Enquanto alguns sentem a dor no bolso para buscar saúde, outros gastam com silicone e botox. Infelizmente, beleza tornou-se mais importante que saúde. Mas, como a própria definição da palavra saúde (bem estar físico e mental e a capacidade de um indivíduo perceber sua condição), podemos ver muitas vezes o que é rayalmente importante. Use menos o cartão de crédito. Eu sei que é difícil, saiu o Ipad 2, juro que tentarei.

 

Tudo é dinheiro???? Com certeza não. Mas, facilita muito.

A dor no bolso é muito relativa. Tem tudo a ver com a nocicepção: quanto mais furado mais doloroso no final do mês.

 

Então, guarde a dor no bolso. Se estiver furado, melhora ainda. Vai que ela saí né?

 

Em homenagem a Fabrícia Costa, fisioterapeuta que administra dores no bolso frequentes. Mas, está lá firme e forte com sua clínica em copabronxs.

 

Abraços furados

Artur Padão Gosling – Pada

 

 

 

 

Emdor-Finas, Isakonildos e Francirne

22, maio, 2011 Sem comentários

Nada como participar de 3 eventos em 1 semana, sentado o dia inteiro assitindo aula. Quem mais agradece é o pescoço moido e a namorada.

E por falar em dor, assunto mais interessante e falado no blog, vamos direto ao assunto, marcando os pontos positivos e negativos de cada um.

 

Sabiam que existem eventos só para se falar de dor? Como se já não bastasse ouvirmos os pacientes gastarem saliva falando da dor, o EMDOR foi um evento direcionado a profissionais de saúde que trabalham com dor crônica no Rio de Janeiro. Foram aulas com professores renomados do Brasil. Foi muito bom, boa parte das aulas foram muito boas, porém sempre o mesmo assunto me chama a atenção. Sempre ouvimos de todos que o modelos de tratamento deve ser bipsicossociais e o multidisciplinares. Muito bem, como fazer isso? Como trabalhar nestes modelos? Quantos estão interessados? Isso, só tem como saber se estivermos dentro de uma equipe. Isso, só tem como saber a partir do momento em que enxergarmos a dor como problema de saúde e que afeta muitas dimensões de uma pessoa.

 

Continuando nossa saga científica, vamos ao lado esportivo. No ISAKOS, pude participar do curso de reabilitação esportiva. Foi uma ótima revisão de vários aspectos dos atletas, porém falando muito e muito mesmo sobre lesões. É claro, todos nós sabemos, os atletas se machucam com frequência e também tem dor. Normalmente as dores dos atletas são associadas a lesões. Mas, e se a lesão é curada e a dor fica? E se o atleta não consegue retornar ao treino por medo? Por cinesiofobia? As vezes, infelizmente, devemos saber quando chegamos ao limite do nosso tratamento e precisamos de ajuda de um colega fisioterapeuta, médico e de um psicólogo.

 

E por último, a coruja Fran Cirne. O evento foi em Vitória e contamos com muitos fisioterapeutas brasileiros e de fora. Realmente, foi além das minhas expectativas e muitas informações acrescentaram para semana que vem. É claro que todo evento vem seguido da parte social intensa, o que causa grave ansiedade nos namorados e namoradas, os quais ficam investigando o facebook para ver as fotos carregadas durante a farra. Como já falei pra minha namorada: “o que acontece em Vegas, morre em Vegas”. Enfim, o que se falou de dor foi o que eu esperava. Não era o objetivo, mas acho altamente relevante falar do perfil dos pacientes com dor. Classificar para tratar é importante? Claro que sim. Mas, devemos considerar os multiplos aspetos que a dor pode prejudicar. Por exemplo, o quanto a ansiedade e depressão dificultam a escolha das técnicas de tratamento? Como devemos tratar pacientes com cinesiofobia? Enfim…

 

Fica então a saudade. O problema é: da ciência ou da social?

Os ânimos sem esquentam na aulas polêmicas.

Uns não sabem curtir com moderação.

 

Teve até show do teletubies.

Injeção de nutela para todos.

“O que acontece em Vegas, morrem em Vegas”

Mas, eu estava lá assistindo aula.

Foi ótimo rever os amigos e conhecer novos, mesmo que seja no aeroporto.

Parabéns aos que publicaram trabalhos científicos.

 

Abraços para a Emdor-Finas, o Isakonildos e a Francirne 2011.

Artur Padão Gosling – Pada

Curso sobre Fisioterapia no Manejo da Dor

19, abril, 2011 Sem comentários

Caros Blogueiros Doloridos Crônicos Profissionais Fisioterapeutas. Enfim, iniciamos a divulgação do primeiro curso sobre Fisioterapia no Manejo da Dor que será realizado em Brasília, DF, local onde está o poder. Este é o primeiro curso especificamente sobre dor para fisioterapeutas e o conteúdo está voltado para a sáude e educação, que é mais importante do que as técnicas.

Super Curso nos dias 23 e 24 de julho de 2011.

De Brasileiros para Brasileiros. Chega da invasão estrangeira! Chega de carros importados! Chega de Macbooks Pro e Ipads! Esses dois últimos não, nem pensar! HÁ!

Temas como neurofisiologia, fisiopatologia e educação em dor recebem destaque e merecem a atenção do fisioterapeuta.

O mais interessante é que o curso está aberto a outros profissionais de saúde. Gostaria muito que os Educadores Físicos se incluíssem neste público alvo.

Quem tiver interesse entre em contato com o Dr. Arthur Ando em Brasília que estará a frente da organização. Os demais contatos estão no PDF abaixo. Calma, Calma. Em breve no Rio.

Organização geral para não haver ciume entre os ministrantes:

- Artur Padão Gosling – artur@centrodador.com.br

- Arthur Ando – 61 9986-8350

- Pablo Marinho - http://pablomarinho.blogspot.com/

 

Se quiser, confira um pouco mais sobre o curso na Página “Cursos” do Blog da dor Crônica.

PDF - fisio manejo da dor

Abraços

Artur Padão Gosling – Pada