Olá a todos. Espero que tenham curtido as festas, com dor controlada e com uma bela loira gelada.

A única dor aceitável é a dor da consciência, por se encher de peru e rabanada. Eu comi apenas castanhas, passas e frutas da estação. HEHEHE.
Chegamos a mais um ano e parece que ontem foi 2010. Quase ontem pelo menos. Enquanto muitos acompanham a Dilma no poder brasileiro, outros investigam a vida da mulher do vice presidente (curti) e claro, as pessoas totalmente desocupadas procuram compará-la a Geyse Arruda de forma forçada (não curti). Mas, mesmo sendo inútil, alguém tem de fazer o trabalho sujo para que a gente possa rir um pouco. Afinal de contas, nem tudo são dores na vida.
Enfim, após as belas palavras introdutórias, o ano de 2011 está marcado por uma campanha internacional contra a dor aguda. Quem a criou foi a associação internacional para o estudo da dor, a qual participo. Existem informações sobre essa campanha no site da IASP www.iasp-pain.org porém apenas em inglês. Em breve o grupo que eu trabalho irá realizar uma campanha nacional.
O que isso tem a ver com o Blog da Dor Crônica? Simples, antes de ser crônica a dor começa como aguda. Então, entender e evitar que a dor aguda persista e fique crônica se faz necessário.
A dor aguda faz parte do nosso dia a dia. Faz o nosso corpo se proteger e reagir estímulos perigosos: temperaturas altas, pedrinhas, agulhas, azeitonas na pizza, sogras.

Para termos dor, o nosso cérebro é quem decide. Por isso, nem todo bebê que damos um beliscão no braço sente dor (nunca fiz isso ok?). Por isso, cada pessoa tem a sua tolerância pois é totalmente individual.

Mas, aonde começa a tal dor aguda?
Imagine que você está na linha 1 do metro do RJ, de Ipanema para Tijuca. Você também pode preferir embarcar no Thomas, o Trem. Existem vários pontos de parada (estações) onde acontece cada estágio que a dor segue. Mas nessa minha linha de metrô, existem poucas estações e nossa viagem é muito mais rápida que os 30 min sugeridos pela prefeitura. Tudo acontece na primeira estação, onde os passageiros são os estímulos perigosos. São 2 exemplos:

- Uma popozuda se joga na cadeira e quebra (mecânico – afff)
- Um casal se pega frenéticamente (térmico – ui ui)
Esses estímulos sem noção ativam os “no notion” nociceptores (alarmes) chamados A delta, ponta inicial do fio elétrico (trilho do trem).
Mas, o trem segue pois ninguém viu ainda o abacaxi ou não deram importância ao fato. E segue pelas linhas (nervos) e o maquinista resolve não parar numa das estações (gânglio da raíz dorsal) pois ele está ocupado com seu muffin. Mas ai, claro, ele tem que parar obrigatóriamente na Estação Estácio (Corno posterior da medula) pois tem que se decidir o que fazer com esses passageiros causadores de problemas (modulação). Tira ou não o trem?

Eu votei por tirar e entregar ao BOPE mas, o sistema nervoso então, revoltado pela indecisão toma a iniciativa mantém os passageiros até o seu destino: o cérebro. No final da estação (Ipanema ou Tijuca – você decide) o cérebro decide quem vai ou quem fica. Se não doer é porque foi e se doer voltou no trem. Facil??? Até Sudoku é mais difícil. HÁ.

Enfim, esse é o mecanismo de dor aguda. A velocidade em que isso acontece pode ser maior que nos eixões de Brasília.
A dor aguda acorda nossos instintos de sobrevivência:
lutar contra a dor

fugir da situação dolorosa

proteger a região

ter medo

ter ansiedade

nervosismo

Isso tudo é esperado e, graças ao bom Deus para quem acredita, isso indica que nosso organismo está funcionando bem. Quando acaba a dor, tudo volta ao normal.
Infelizmente, muitos motivos mantém essa dor persistente:
- falta do diagnóstico e tratamento adequado – - desconhecimento profissional
- auto tratamento e automedicação – - achamos que podemos resolver
- falta de suporte dos serviços de saúde
- e por ai vai
Quando o controle da dor aguda falha, a chance de ficar crônica é grande. Além disso, todo os instintos podem permanecer presentes mesmo que a lesão que causou a dor aguda tenha sido curada. O interruptor liga e fica assim mesmo sem dor, sabia? Ansiedade, nervosismo, medo podem então provocar mais dor. Ai o bicho pega e eu, fisioterapeuta, sozinho, não consigo ajudar.
Esperem que muito mais está por vir e agora, “Dor por encerrada esta materia”
Abraços consistentes
Artur Padão Gosling – Pada