Uma doença chamada corrida ou uma corrida doente?

dor e corrA corrida hoje é um símbolo de exercício para muitas pessoas, para outras é como uma superação de limites, como própria dor. Outras encaram como saúde e alguns como alto rendimento. Mas, tem muita gente que corre para desfilar na corrida, pra se sentir nessa nova moda de pagar para correr e ganhar uma medalha. Qual a graça?

Parece que todos os fins de semana tem uma prova de corrida e um monte de gente correndo 5, 10, 16, 21 e 42km. Quem corre todas essas provas não tem noção dos riscos que está “correndo”. Pagam pra ver. Tivemos 2 alunos que se deram muito mal esse ano por isso. Pagaram pra ver.

Exercício físico vicia e a corrida é viciante pra quem gosta. O vício pelos efeitos da corrida funcionam como várias drogas e, “quando acaba a gente quer de novo”. Quem corre todas essas provas, na maioria das vezes, vira um “chato de doer”. E porque isso? O assunto de tudo é a corrida. E nem são atletas, hein.

Atletas não correm tudo isso e as pessoas querem imitar os atletas. Então, se arriscam como os atletas, sentem dor como os atletas e se lesionam como os atletas. Fato! A fratura por estresse, por exemplo, é uma lesão de prática esportiva e que vários não atletas estão sendo premiados pelo excesso de corrida.

Um estudo extremamente impactante foi publicado esse ano e que todos os “pseudo corredores” deveriam ler. Foram acompanhadas pessoas sedentárias e corredores (dois extremos). Aqueles que correm regularmente, de forma moderada, tinham baixo risco de morte. Porém, os que correm em alta intensidade entram no mesmo grupo de risco de morte dos sedentários. Sério!

http://content.onlinejacc.org/article.aspx?articleID=2108914

Eu corro das pessoas que querem correr todas as provas. Essa é a corrida doente, ou seja, sem lógica e sem o mínimo de noção. E pior que muita gente apoia. Vai sair no mínimo de tipóia e com apoio de uma equipe médica. Cuidado!

Quer correr com segurança? Monte uma planilha. Não saia correndo com as dicas da revista e dos aplicativos de celular. Procure um professor de educação física para lhe ajudar nas progressões (com planilha). Cuidado com os professores “no notion”. Cuidados com as evoluções de 2km por semana, a qual uma paciente minha foi orientada a fazer. Corra das lesões, caminhe junto ao seu coração e não seja um “chato de correr”.

Artur Padão – Dorterapeuta

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