Toda dor acaba em pizza?

dor e pizzaSempre existe uma possibilidade de ter menos dor, sofrer menos e conseguir o que se quer. Não há necessidade da dor persistir e os alarmes podem ser reduzidos sim.

Pizza é minha comida favorita. Dor é meu objeto de estudo favorito. Nada como unir os dois em prol de um alivio da dor melhor. É com esse pensamento que entre os anos 1950 e 1960, o radialista esportivo Milton Peruzzi usava o tempo todo a expressão “terminar em pizza” ou “assar uma pizza” durante os jogos de futebol.

http://www.opovo.com.br/app/maisnoticias/brasil/2013/09/20/noticiasbrasil,3133113/conheca-de-onde-surgiu-a-expressao-tudo-acaba-em-pizza.shtml

Essa expressão sempre era usada para informar aos ouvintes que depois de algum conflito, ficaria tudo bem. Com a dor também pode ficar tudo bem, apesar dos conflitos internos do sistema nervoso “mais nervoso que o de costume”. Ninguém precisa viver o conflito doloroso, sempre temos escolhas diferentes.

Aqui no Rio de Janeiro, usamos a expressão “tudo acaba em samba”. Como não curto samba…

Mas, a verdadeira expressão dolorosa, semelhante a “tudo acaba em pizza” é a clássica “tratei e nada mudou”. Ou seja, “fiz tudo o que tinha que ser feito e minha dor não melhorou”. Vários tratamentos (esperamos que sejam bons, pelo menos) e nada muda? Sim, mas depende muito para o que estamos querendo ver no final (chamamos isso de desfecho). Se for o alivio da dor, pode ser que nada tenha ajudado. Mas, e as incapacidades? E a tensão? E a ansiedade? E o convívio? E o trabalho? E a pizza?

Se toda a dor acaba em pizza, será que pedimos a pizza certa? Se o que quero é pepperoni, porque apareceu uma marguerita? Se eu gosto de massa fina, porque chegou a massa grossa? E porque não trocar a pizza pelo calzone?

Em 1992, durante a Era Collor, tudo começou mesmo a acabar em pizza. Essa expressou ganhou uma nova conotação após um dos grandes escândalos do nosso país envolvendo PC Farias. Após o depoimento de Sandra Fernandes na CPI, a expressão “tudo acaba em pizza” foi associada a impunidade. “Vamos comer pizza e não estamos nem ai”.

Só 2 anos mais tarde, que a Associação Internacional para o Estudo da Dor lançou o famoso rodízio de pizza chamado taxonomia da dor, definindo vários termos que conhecemos até hoje.

Acho que todas as dores acabam em pizza, mas não devem ficar impunes não. A escolha do sabor favorito da pizza dolorosa é uma decisão do cliente, certo?

Artur Padão – Dorterapeuta

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.