Reabilitação em dor: ou seria reabilitação de pessoas?

dor e rehabEm meados dos anos 40, durante a segunda guerra mundial, o consumo de remédios analgésicos super fortes, como a morfina, chamou a atenção de forma dolorosa. A dor após os grandes traumatismos, mutilações e deformidades da guerra necessitou de uma mudança de paradigmas para a saúde. A partir dai, grandes centros de reabilitação foram criados para dar suporte e “reabilitar” as pessoas.

O termo reabilitação significa um processo global (não é atriz da globo) e dinâmico, orientado para a recuperação física e psicológica de pessoas com deficiências e incapacidades, buscando sua reintegração social. Portanto, não reabilitamos dor, cabeça, ombro, joelho e pé. Reintegramos pessoas para a sua socialização. Não reintegramos a dor!

Já nos anos 70, os primeiros programas de reabilitação em dor foram criados por John Bonica (aquele do livro de dor que custa mais de 1000 reais e tem mais de 2000 páginas), para buscar a reintegração biopsicossocial que tanto se fala atualmente. Mais de 40 anos depois, ainda não se consegue aplicar totalmente este conceito e precisaremos de mais 40 anos para tal processo.

A reabilitação em dor (ou melhor, de pessoas com dor) só funciona com a integração multiprofissional de forma interdisicplinar. “Sozinho, não enxergo nada”, já dizia o Skank. Por isso, só seremos capazes de reabilitar alguém se desejarmos trabalhar em equipe, se conseguirmos abrir mão do orgulho, baixar a guarda e “socializar” com outros profissionais.

Trabalhar em equipe em prol da reabilitação não é fácil. Os santos tem que se bater e as TPM’s devem ser controladas (https://dorterapeuta.wordpress.com/portfolio/desvendando-os-misterios-da-dor-tpm/). Os papeis entre os profissionais devem ser muito bem definidos e devemos entender a célebre frase “alguém tem que ceder”.

A reabilitação de pessoas com dor (clap! clap! clap!), interdisciplinar, tem melhores resultados em vários aspectos como o controle da dor, retorno a atividades, ganho de função, qualidade de vida e retorno ao trabalho, quando comparamos a tratamentos isolados.

Busque sempre o trabalho em equipe, mesmo que você não esteja no mesmo lugar que a galera. Tente se comunicar da melhor forma possível. Seja um “bola cheia da dor” e tenha uma rede de contato multiprofissional. Se isole e trabalhe sozinho para ganhar um troféu “bola murcha da dor”.

Artur Padão – Dorterapeuta

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