PROGNÓSTICO: O EXTERMINADOR DO FUTURO?

Ao final de uma consulta, vem aquele primeiro momento tenso para revelar “o que eu tenho doutor”. O resultado pode ou não ser chocante, mas que é necessário para dar seguimento a escolha de tratamento adequado (pelo menos esperamos). Porém, uma importante parte da consulta as vezes é deixada de lado, talvez pela pressa ou pela necessidade “urgente” de colocar os pingos nos “i’s”: o ato em si de prever o que vai ocorrer ao longo do tempo. Chamados isso de prognóstico.

Será o futuro certo ou incerto? A dor vai aliviar ou piorar?

Por exemplo, quando torcemos o tornozelo, existe já uma clara definição pela ciência e pelos experts que a torção leve demora em torno de 1 mês para ser resolvida e torções mais graves em torno de 3 meses. Isso não é uma regra, mas é como as coisas seguem quando o paciente recebe um tratamento adequado. Se o paciente tem uma lombalgia aguda, mais ou menos 60% das pessoas melhoram sua dor em até 6 semanas sem simplesmente fazer nada. Sem remédio, sem restrições, sem fisioterapia, sem acupuntura, sem bandagem milagrosa. A essa melhora damos o nome de “historia natural do problema ou da doença”. Essa é a mamãe natureza ditando as regras.

Prever como um paciente que tem dor crônica vai evoluir é complexo. Quanto mais crônico, mais complexo. Quando mais e mais crônico, mais difícil será vir “de volta para o futuro”, especialmente se não existe um tratamento específico que garanta a melhora do paciente. Hoje alguns instrumentos ajudam o profissional de saúde a prever acontecimentos, como o Start Back e o Orebro, que estão olhando para uma série de fatores que podem dificultar a vida ativa, afetiva, social e amorosa do paciente. Na dor crônica, caso o paciente não faça nada, então provavelmente nada de diferente irá ocorrer (vai saber…).

Se o profissional de saúde for capaz de identificar os fatores favoráveis e desfavoráveis a melhora do paciente ao longo do tempo, terá maiores condições de “prognosticar” colocando os pés no chão e calçando as sandálias da humildade. Definir o prognóstico é definir uma das 3 evoluções dos problemas dolorosos:

1. A paz mundial (melhora) – deu certo!

2. A rebelião das máquinas (piora) – deu zebra!

3. Ficar como está (não melhora, mas também não piora) – deu e não deu, o que também é ótimo!

Nosso “capacitor de fluxo”, que nos leva para o futuro do paciente é um conjunto de conhecimentos clínicos, expectativas, tratamentos e a ação da mamãe natureza para definir “como será o amanhã”. Mas, isso não depende só do profissional. Depende do paciente encontrar aquele “1%” (talvez mais que isso) de empenho para enfrentar o problema, se cuidar e saber que “a vida tem sons que pra gente ouvir precisa aprender a começar de novo”

Não adianta ter força de vontade de exterminar a dor agora. Tem que pensar no “dia depois de amanhã”. Ajude seu paciente para o futuro. Sendo assim, é possível (não impossível) evitar o “I’ll be back”!

Hasta la vista, “painful” baby

Artur Padão

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