Placebo: podemos usar na prática para o alivio da dor?

dor e placeboO placebo (não a banda) é um dos efeitos mais interessantes e misteriosos do estudo da dor. O efeito placebo é provocado quando um paciente melhora com um tratamento falso. Usa-se o placebo em pesquisa clínica e experimental, com grande regularidade, para comparar o efeito de determinado tratamento verdadeiro.

O efeito contrário do placebo é o nocebo, onde o paciente piora com o tratamento falso.

Em pesquisa, usar um grupo placebo é aceitável desde que o paciente saiba que pode receber um tratamento placebo e isso deve estar descrito no termo de consentimento livre e esclarecido (ou para os íntimos, TCLE). Agora, se por acaso o paciente descobrir que recebeu um placebo, já não é mais placebo, é apenas a banda tocando “every me and every you”. Além disso, não deve haver vínculo entre paciente e terapeuta, o que somaria efeitos ao tratamento.

E na prática clínica? Podemos usar um tratamento falso com o paciente?

Isso é injusto, antiético e “xing ling”. Não! Isso é proibido e com razão. Apesar de funcionar em cerca de 30% dos casos, o prazo de validade do efeito é curto, dura pouco.

Vários tratamentos testados pela ciência alcançam no máximo 30% de efeito e não são placebo, como alguns remédios e meios físicos. São tratamentos que possuem efeito sim no alivio da dor, mas que o poder de efeito é parecido com o placebo. Por isso, receberam um “pedala robinho” da ciência, mas continuam na área, as vezes com uma divulgação de eficácia extrema, o que não é uma verdade científica. Lembre-se que somamos vários fatores para dizer que um tratamento é eficaz, incluindo o placebo.

E os tratamentos que nunca foram testados e são vendidos livremente até em bancas de jornal? Se nunca foi medido ou testado, não pode ser considerado eficaz por um olhar científico. Clinicamente, ignorando a ciência, muitos destes tratamentos funcionam, mas não necessariamente por causa o efeito “técnico” da técnica ou tratamento.

Outro ponto que não podemos ignorar são os meios físicos que dependem de regulagem e calibragem dos aparelhos. Se o aparelho está desregulado e descalibrado, ou seja, não oferece o efeito “técnico” da técnica e que produziu alivio da dor, então o paciente recebeu um placebo. Isso não pode “arnaldo”.

O placebo pode ser uma porta aberta ao charlatanismo, por ele funcionar da mesma forma que um tratamento verdadeiro. Os pacientes que procuram um tratamento para a dor tem o direito de saber o que funciona ou não, por um olhar científico, o que minimiza os efeitos adversos. Acho muito justo usar um tratamento com o poder de efeito parecido com o placebo, desde que o paciente saiba disso. Se ele melhorar em torno de 30%, faltam só 70% para chegar lá.

Artur Padão – Dorterapeuta não placebento

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