Palpação e a tenda do chaves

dor e palpA palpação de estruturas do corpo é parte integrante do exame físico clássico de diversas áreas da saúde. Usa-se a palpação com os dedos da mão para identificarmos o volume, o contorno, a tensão, “alinhamento”, “dor”, dentre outras coisas (no bom sentido, é claro).

Usar a palpação requer uma principal questão: habilidade. Treinar e treinar, nada mais nada menos. Quanto mas treinado o profissional, melhor será sua capacidade e precisão de identificar o que deve ser identificado. Isso é experiência clínica.

Em alguns estudos, a palpação aparece como um bom “instrumento” de avaliação, por exemplo, de sensibilização dos nervos periféricos (http://www.manualtherapyjournal.com/article/S1356-689X(08)00196-3/abstract). Em outros, a palpação leva uma rasteira fofa (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15598999). Como curiosidade, você pode conferir um resumo sobre a necessidade ou não de se usar a palpação na prática (http://www.optimafisioterapia.com.br/artigos/9-blog/84-fisioterapia-manipulativa-lombar).

Porém, vamos ressaltar o seguinte: a palpação depende de experiência fazendo palpação. Mesmo que o profissional tenha 20 anos formado e mal encoste no paciente, sua capacidade de palpar o que realmente deve ser palpado é bem baixa.

Será a palpação tão importante assim para o exame físico? O que isso adiciona de informação para um diagnóstico e escolha de tratamento?

Vários estudos questionam a utilização da palpação de estruturas, mostrando que é “mais pra lá do que pra cá”. Exemplos típicos são a palpação do processo espinhoso de L5, articulação sacroilíaca, nervos periféricos e até de pontos gatilho. O mesmo problema se repete na palpação do pulso carotídeo e radial, nódulos na glândula tireóide e vísceras abdominais.

E como ficam os métodos / conceitos / filosofias que usam a palpação de estruturas para definir sua abordagem? Ficam, claro! Cada um acredita naquilo que acredita.

Imagina se não tivéssemos a palpação a disposição? Metade do que pensamos iria acabar! Imagina, não poder mais palpar “vértebras rodadas”? (piada). Mesmo com baixa precisão e confiabilidade de uma forma geral, usamos a palpação rotineiramente. Para tratamentos, funciona da mesma forma para muitos.

A palpação de estruturas está mais para a tenda de refresco do chaves: o refresco é de groselha, que parece de limão e que tem gosto de tamarindo. Ou seja, tudo depende do “palpador” e da sua própria impressão.

PalpaDor – – aquele que palpa, não que seja capaz de palpar a dor. A não ser que consiga palpar neurônios.

Artur Padão – Dorterapeuta

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