Incapacidades provocadas pela dor

incapacidades e dorA dor é uma experiência que em algum momento leva a incapacidade funcional, principalmente quando persiste por algum tempo. Nem todos terão incapacidade da mesma forma. Por exemplo, podemos ter pessoas com a mesma queixa de dor lombar, com o mesmo padrão, intensidade semelhante e com graus de incapacidade funcional completamente diferentes.

É fácil falar da dor lombar pois é muito comum. Mas, se nos interessarmos por conhecer mais os pacientes com queixas de dor, vamos descobrir coisas incríveis sobre seu cotidiano e rotina diária. Uma paciente com dor que atendi após uma artrodese cervical dizia que engolir alimentos aumentava sua dor, portanto evitava comer. Outra relatou após 3 meses de fisioterapia que uma outra profissional (sem citar qual) lhe proibiu de ter relações sexuais pois isso iria trazer consequências para sua coluna. Um paciente ano passado mal conseguia agachar por medo de aumentar a dor e de se machucar. E essa semana a descrição da dor foi “em vácuo”. Oi?????????? (só pra descontrair, mas isso na verdade aconteceu já tem 5 anos).

Enquanto muitos fisioterapeutas se preocupam com a amplitude, controle motor e força, “rotação da vértebra”, colocar em postura e por ai vai, os pacientes querem poder realizar suas atividades sem dor. Muitas vezes isso será possível, outras vezes não. A incapacidade pode ser tão subjetiva quanto a dor, uma vez que quem decide sobre isso é o paciente.

Essa semana mesmo, na avaliação de um paciente com dor no ombro, seu relato sobre as limitações mostravam que ele mal conseguia tomar banho, trocar de roupa ou carregar qualquer tipo de peso. Entretanto, chegou vestido a consulta, carregando sua pasta com laptop e parecia ter tomado banho antes (?). Além disso, o exame físico não mostrou anormalidades em seu movimento ou reprodução de seus sintomas. E agora????? O melhor momento de exagero e supervalorização dos sintomas será na frente de outras pessoas, para provar a veracidade dos fatos. Isso se chama “comportamento doloroso” e foi descrito por Loeser em 1982. Essa é uma verdade do paciente e é extremamente relevante do ponto de vista da incapacidade.

Acredito que pessoas com dor persistente podem ter tanta ou mais incapacidade do que pacientes que sofreram lesões neurológicas ou deformidades ortopédicas. Esse aspecto é comumente negligenciado pelos profissionais, uma vez que quando nossas explicações sobre o problema acabam, começamos a duvidar sobre a “verdade” que o paciente diz ter. E essas verdades são as suas crenças, atitudes e opiniões a respeito não só da condição de saúde, mas de sua vida de uma forma em geral. Baixa autoeficácia, medo e evitação são crenças que levam pacientes com dor a incapacidade. Sabemos que dor e incapacidade podem andar lado a lado, mas será a dor suficiente para prejudicar a rotina de atividades? Sim, mas devemos ter em mente que misturados a dor, outros sintomas, queixas, aborrecimentos e problemas da vida fazem parte do pacote. Medo, estresse, rigidez, ansiedade, depressão, fadiga e outras coisas a mais são chamadas de dor pelo paciente e são descritas como incapacitantes pelo paciente.

Algumas referências para ajudar:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20153582
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8455963
http://www.scielo.br/pdf/rdor/v13n2/03.pdf
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18430518

Artur Padão – Dorterapeuta

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