Engolindo sapos dolorosos

Aguentar a dor enchendo a paciência faz parte da rotina de muita gente. Cada um tem sua maneira de sentir e tolerar isso, sem milongas e sem comparações. Todo mundo já teve, tem ou terá dor em algum momento, porém acaba ficando na sua, sem falar nada ou sem expressar nenhum sentimento doloroso. Simplesmente, “aguenta coração” e o tempo passa e a dor continua.

Aguentar a dor quieto no seu canto, engolindo a seco os sintomas, tem algum motivo? Tem sim, e a culpa é dos sapos, sabia?

Na época bíblica das famosas Pragas do Egito, milhares de dolorosas rãs / sapos invadiram o Egito, inclusive as refeições. Foi tão desagradável para os habitantes que “engolir sapo” tornou-se uma expressão mundialmente famosa para suportar de boca fechada as situações desagradáveis da vida.

Diversos fatos religiosos perduram até hoje na vida das pessoas, como a história de Maria das Dores, que sofreu as chamadas “dores da virgem maria” desde a condenação até o pós morte de Jesus Cristo. Confira também sua dolorosa história: http://dorescronicas.com.br/portfolio/quem-foi-maria-das-dores/

Enfim, engolir a dor sem falar nada é engolir os sapos do dia a dia. Aquilo vai acumulando, talvez ruminando no estômago, revirando tudo de ruim que ocorre devido a dor.

“Não deixe o mar te engolir”, já dizia o poeta Chorão. Não engula sapos dolorosos, pois eles vão lembrar disso por muito tempo. E como também já dizia o poeta Russo, “temperar com essência de espirito de porto, duas xícaras de indiferença e um tablete e meio de preguiça” para digerir melhor os sapos amargos, indigestos e dolorosos.

Antes de engolir o sapo, que tal temperar e cozinhar? Tenta um beijo antes, quem sabe não muda de figura?

Artur Padão

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