Em busca da funcionalidade perdida

Porque as pessoas com dor procuram ajuda? Será a dor sempre a vilã dos quadrinhos? Não mesmo. É muito comum observar que mesmo se enchendo de analgésicos, a dor não passa. E se a dor não melhora, mesmo com Doril, vai afetar a funcionalidade. Fato esse já consumado, é só se interessar um pouquinho pela rotina de vida com a dor no meio do caminho.

O termo funcionalidade, amigo íntimo da CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde), nos remete a pensar em tudo o que pode ser funcional na vida de uma pessoa: como é o dia a dia, em qual ambiente está inserido, alimentação, nível de atividade, exercício, relações interpessoais, se vai a igreja, se vai na padaria conversar com o Sr. Manoel, se tem vida sexual ativa ou se simplesmente consegue ir ao banheiro sozinho. Tudo isso é funcionalidade e tudo isso pode ser bem prejudicado devido a dor.

Por mais que todos os profissionais de saúde se preocupem com o ganho de função, com as atividades e funções gerais, não existem profissionais mais preparados para avaliar e atuar no quesito funcionalidade como o fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. Depois vemos a enfermagem e educação física. E depois o restante. É claro que existem especificidades, como a fonoaudiologia e a ortóptica, mas as funções gerais é com os “caras do movimento”. A medicina nem chega perto, a fisiatria chega! Já chegou, já teve isso como grande preocupação, mas hoje o mundo mudou, se especializou demais e perdeu seu terreno.

E como achar a funcionalidade perdida? Lá nos Correios? O interesse em combater as incapacidades provocadas pela dor é mútuo. Não é simples assim, mas é:

– Colocar em prática o que não é praticado;

– Procurar aquela energia extra para encarar a dor;

– Ganhar movimento no corpo;

– Ser mais tolerante a dor;

– Pedir ajuda profissional! Não morde!

Se o paciente precisa recuperar a funcionalidade, vocês já sabem pra onde ele tem que ir. Remédios não recuperam a função, dão um empurrão de leve! Tratamentos para a dor não recuperam a função, mas permitem o ganho de função com menos dor.

Não lide com o que você não domina. Não se exponha ao que você não entende. Não provoque mais incapacidade do que já existe. E não transforme a saúde do paciente em roleta russa.

Nossa função é ser funcional! Mesmo que alguém não queira ser!

Artur Padão

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