Desvendando os mistérios da dor – Fibromialgia

fibro2Talvez não exista outra palavra melhor para descrever algo que só de pensar já dói: a fibromialgia. Talvez seja hoje a “doença” mais falada de todas quando pensamos em dor intensa e limitante.

Desvendando a palavra: fibro = tecidos fibrosos; mio = músculos; algia = dor.

A dor na fibromialgia apresenta algumas características próprias, o que causa muita confusão. Parece que todo mundo agora está com fibromialgia, só porque dói o corpo todo. Quem já não teve dor no corpo todo quando pega uma gripe? Então rotular alguém e diagnosticar como fibromialgia pensando apenas na dor irá errar com certeza.

É bem mais comum nas mulheres, entre 40 e 60 anos. As pessoas que realmente tem fibromialgia demoram cerca de 2 a 3 anos para serem diagnosticas. Bizarro hein?

:. Como é a dor?

Em todo corpo e de forma persistente, profunda, difusa, latejante. Todos os tecidos como pele, músculos, ligamentos, articulações ficam mais sensíveis ao toque, movimento e a todos os tipos de estímulos, até mesmo calor ou frio. A dor aumenta com a repetição destes estímulos (somação temporal), temos também presença ilustre da alodínia

:. Porque dói o corpo todo? 

A teoria mais recente fala sobre a falha do nosso sistema de controle de dor, chamado pelo nome difícil de “sistema supressor da dor”.

Como não tem causa definida, vamos mudar o termo para Síndrome Fibromiálgica. Não se sabe ainda porque isso acontece, mas vou mostrar outras teorias:

Alterações nos hormônios – dois deles são muito importantes: aumento do cortisol, que é liberado nas situações de estresse e por ajudar na inflamação; diminuição do hormônio de crescimento (GH), que renova as células, sendo que sua maior liberação ocorre durante o sono profundo. Se a dor provoca estresse ou o estresse provoca dor, temos mais cortisol presente. Se não conseguimos dormir, não conseguimos liberar o GH e por isso não temos renovação das energias do corpo, provocando cansaço (fadiga) intenso.

Grande diminuição da serotonina – substância que ajuda a controlar a dor.

Excesso de substâncias irritadiças como a substância P e fator de crescimento neural no líquior. Isso significa que o corpo fica mais sensível a tudo.

Curto circuito no sistema nervoso central, aumentando a sensação dolorosa.

Fatores genéticos – mudanças nos genes de alguns sistemas, como o da serotonina e dopamina.

:. Como a dor não é o único sintoma, vamos falar dos outros:

– cansaço (fadiga) intenso

– problemas para dormir

– rigidez nas articulações

– perda da memória recente

– problemas afetivos

– problemas cognitivos

:. Outros problemas associados a Síndrome Fibromiálgica:

– depressão e ansiedade em níveis altos

– estresses pós traumáticos

– síndrome da fadiga crônica

– síndrome do cólon irritável

– dismenorréia, cistite intersticial, outras alterações reumáticas e problemas na articulação temporomandibular, cefaléias

Esse é o tipo de problema que conseguirá ser tratado num centro de tratamento multidisciplinar da dor. Um conjunto de medicações, técnicas da fisioterapia, exercícios aeróbicos, de força e alongamento, terapias psicológicas é que podem fazer a diferença no tratamento. Além disso, mudanças nos hábitos, crenças, atitudes, comportamentos e enfrentamento da dor precisam ser bem explicados, ou seja, é um processo de educação longo que, junto ao tratamento, faz a diferença.

Artur Padão – Dorterapeuta

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