Crônicas dolorosas 37: a tríade maldita

Um dos clássicos jargões do meio esportivo é tríade maldita ou tríade infeliz do atleta. Significa que numa mesma “tacada”, o atleta sofre uma lesão dentro do joelho, no ligamento cruzado anterior, no ligamento colateral medial e no menisco medial. O mecanismo maldito desta lesão é por torção do joelho “para dentro”. Sendo assim, a maioria dos atletas acaba operando nestes casos.

Mas, uma das dolorosas pacientes chega relatando que fez a tríade maldita. Um sorriso de uma ponta a outra do lábio paralisa a face e a resposta está na ponta da língua, justamente para saber como foi o ocorrido. Mas, não. Engano meu. A tal da tríade maldita é um trio maldito de tratamentos que, para a dolorosa paciente, ronda os diversos serviços de fisioterapia que ela passou.

E não é só dela que ouvi. O trio “parada dura” que muitos pacientes comentam sobre o tratamento fisioterapêutico envolvem os clássicos “choquinho” (TENS), ondas curtas e ultra som na mesma sessão. E assim, o tempo passa, o tempo voa, as sessões correm e o paciente não melhora. Vai, melhora alguma coisa no início e depois nada mais.

Resumindo, a tríada maldita é uma infeliz combinação de tratamentos prescritos por não fisioterapeutas, burocracia de convênio, pacientes insatisfeitos e com humor negro na ponta da língua. Os pacientes também tem o direito de estarem infelizes com tratamentos mal sucedidos. Ninguém quer um tratamento ao estilo Henry Ford, ou seja, como fábrica.

Talvez, quem sabe num futuro próximo, a gente só fale da tríade maldita nos livros ou rodas de conversa entre profissionais. Ver, ouvir e sentir este jargão nada me agrada. Mas, rir é um bom remédio para aliviar as dores.

Artur Padão

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