A dolorosa saúde do profissional de saúde

Todos estamos vulneráveis quando não cuidamos de nossa saúde. Apesar do conceito de saúde ser bastante individual, o bem estar físico, psíquico e social tem altos e baixos em vários momentos da rotina diária. Quando isso fica cada vez mais instável, então o bicho pega e a dor aparece em vários contextos.

A saúde daquele que se propõe a oferecer cuidado com a saúde vem sendo colocada em foco por diversas entidades em todo o Brasil, mas ainda sem o impacto que este assunto merece. O profissional da saúde, portanto, não cuida da sua saúde como deveria.

Um exemplo bastante corriqueiro é a exaustão ou também conhecido como “burnout”, que pode ter consequências graves a saúde. Vários estudos mostram que o esgotamento está diretamente relacionado ao ritmo excessivo de trabalho, principalmente em serviços hospitalares. Em 2014, cerca de 60% dos alunos relataram que o sofrimento psíquico sofrido no curso de medicina foi o responsável pelo trancamento de sua matricula na UFMG. Nos Estados Unidos, 40% dos médicos entram em “estafa”.

Em um levantamento realizado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo de 2000 a 2009, mostrou dados bastante preocupantes sobre a mortalidade do médico, mas que também não diferem da população em geral. Doenças do aparelho circulatório, respiratório e neoplasias estão entre as principais causas. Porém, dentre as causas externas de morte temos: acidentes de carro e suicídios.

Desde a década de 80, estudiosos e pesquisadores alertam sobre o abuso de álcool e drogas dentre os profissionais, causando consequências precoces a saúde.

A saúde dos fisioterapeutas, por exemplo, ainda é pouco estudada no Brasil. Dentre os profissionais de saúde, talvez a fisioterapia tenha um dos mais altos índices de desgaste musculoesqueletico e físico de uma forma geral, devido ao uso excessivo do corpo no trabalho.

A ajuda e o cuidado não deveriam ser tarefas estressantes e dolorosas. Talvez isso ocorra pois os profissionais de saúde tentam se colocar no lugar dos pacientes que os procuram. Vivenciar a doença e a dor de outras pessoas não é nada fácil, é desgastante também.

Cuidar da saúde também é mudança de hábitos e comportamentos. Portanto, profissional de saúde, tenha saúde para oferecer saúde. Caso contrário, terás dor como um grande aliado.

Artur Padão

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