Classificando a dor – Parte 4 – O mecansimo

img_default_01Nesta última parte, e surpresa, vamos falar de modelos de classificação da dor baseados em mecanismos clínicos. Isso permite que exista maior integração com a prática clínica e com a escolha de modalidades de tratamento. Desde os anos 90, pesquisadores dolorosos sugerem estes modelos, que valem a pena serem estudados.

Algoritmos de classificação baseados em mecanismos clínicos existem, como para dor neuropática e dor lombar. Abaixo, vamos ver alguns destes mecanismos e suas integrações com a prática dolorosa.

Vamos dividir estes mecanismos em 3 grandes grupos: periféricos, centrais e associados.

1. Mecanismos Periféricos ou de Entrada: quando os sintomas dolorosos tem envolvimento direto com lesões, alterações ou problemas nos tecidos periféricos. São comuns os traumatismos, torções, inflamações periféricas, distensões viscerais, queimaduras, depilação, cortes, compressões.

– – Dor por nocicepção – – provocada por ativação dos nociceptores de tecidos não neurais (musculoesquléticos, vísceras e pele). Sintomas bem localizados e mais regionais.

– – Dor neuropática periférica – – provocada por lesão ou doença do sistema nervoso periférico somatosensorial (nervos periféricos). Sintomas esquisitos e com distribuição neuroanatômica.

2. Mecanismos Centrais ou de Processamento: quando os sintomas dolorosos são produzidos por alterações centrais, no processamento da dor ou lesão direta no sistema nervoso central.

– – Dor por mecanismos centrais ou Sensibilização central – – aumento da atividade neuronal devido a sensibilização excessiva do sistema nervoso. Sintomas exacerbados, espalhados, vários estímulos nocivos e não nocivos provocam dor.

– – Dor neuropatia central – – provocada por lesão ou doença no sistema nervoso central somatosensorial (medula e cérebro). Sintomas esquisitos e com distribuição neuroanatômica.

– – Dor por mecanismos cognitivo afetivos – – quando emoções, pensamentos, comportamentos, crenças mal adaptativas estão envolvidas com o sintoma doloroso. Sintomas misturados a queixas mais “emocionais”, chamando a dor de chata, cansativa, apavorante.

3. Mecanismos Associados ou de Saída: quando os sintomas dolorosos são produzidos a partir da ativação dos sistemas de resposta, que protegem nosso corpo

– – Dor por mecanismos motores – – provocada por ativação excessiva do sistema motor, modificando os padrões de movimento e funções motoras em geral. Sintomas associados a tensão muscular, respostas protetoras ou de retirada em excesso, tremores, dominância muscular.

– – Dor por mecanismos neurovegetativos – – provocada por mudanças na ativação simpática (aumentada) e parassimpática (diminuída). Sintomas associados a alterações fisiológicas como frequência cardíaca e respiratória, sudorese / necessidade de repouso, pouca energia.

– – Dor por mecanismos endócrino metabólicos – – provocada por alterações no metabolismo e no controle hormonal. Sintomas associados a mudanças hormonais como na menstruação, alterações na tireóide, menopausa ou doenças que afetam o metabolismo, como a diabetes.

– – Dor por mecanismos imunológicos – – provocada por mudanças imunológicas. Sintomas associados a estados infecciosos, virais, qualquer situações que possa modificar o funcionamento do sistema imunológico, também como exemplo sinusites e gripe.

Identifique um mecanismo. Escolha um tratamento!

Agora é só botar em prática. Fácil né?

Artur Padão – Dorterapeuta

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