Em busca do tratamento encantado
Respeitando todos os tratamentos propostos para a dor, principalmente para a dor crônica, vejo que existe uma necessidade de buscar “milagres mágicos”. Dentre os Mister M’s e o Copperfield’s da vida, que mostram ilusões aos nosso olhos viciados, o tratamento para a dor crônica hoje é a mágica da saúde doente.
Existe um marketing pessoal, que é intransferível. Oferecer um tratamento rápido, eficiente e milagroso…quem não quer? Ou melhor, quem pode pagar?
Pagando ou usando o SUS, o que vemos é cada vez mais pessoas com dor crônica buscando um tratamento encantado, que possa resolver todos os problemas da vida.
O encanto começa no folder. Acreditar no alívio é uma das caraterísticas do efeito placebo, sabia? Quanto mais cairmos na “labia” maior a chance de dar certo. Mas, não é ruim fazer marketing pessoal oferendo tratamentos eficazes, pelo contrario é o ganha pão de muita gente.
Vamos ter atenção ao que procuramos. Milagre de mais é pouca certeza de mais, principalmente na dor crônica.
O encanto no discurso: “fica tranquilo, você vai ficar curado” Há…oferecer cura é uma grande armadilha. Porque? Não existe cura para a dor crônica, existe controle e alívio. Quanto mais acharmos que terá cura, mais as pessoas continuam buscando a cura. Vira uma busca implacavél e sem fim.
O encanto no tratamento: “vou fazer uma técnica sinistra aqui / tomar esse remedinho / e você vai ficar 100%”. Sem comentários a adicionar.
E o encanto cai no bolso. Depois da facada da consulta, porque os grandes, os maiores especialistas, os p. das galaxias da dor fazem o bolso doer. Vem o meio termo. O terapeuta que é esperto e conhece bem os pacientes com dor crônica, não vai dar esse mole. Basta um trabalho mal sucedido, apenas um, para estragar a carreira.
E agora, encantador de cães?
Não há milagre, não existe mágica. Existe a busca de certezas. Essa busca é o que torna os tratamentos tão mágicos. A fé na melhora é que traz essa sensação milagrosa, de maneira nenhuma desmerecendo o trabalho dos colegas.
Qualquer semelhança com o Little Foot é mera coincidência.
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Abraços encantados
Artur Padão Gosling – pada






