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Dor nas Lesões do Sistema Nervoso Central

Para quem esteve no COBRAFIN – Congresso Brasileiro de Fisioterapia Neurofuncional – conseguiu ver o quanto importante foi este evento. Aconteceu em Petrópolis (RJ), a capital mundial da lã, roupas diversas, chocolate, pão e foundie. Sem querer puxar o saco de ninguém e eu não faço isso, foi um dos melhores congressos que eu já participei. Falo isso porque a fisioterapia neurofuncional não é minha área de trabalho. Mas então o que eu fui fazer lá? Falar de dor, claro. Eu prometi colocar a aula no blog e estamos ai mas, com o blog way of life. 15 minutos de fama são 15.000 palavras faladas.

A dor nas lesões do sistema nervoso central significa dor causada por uma lesão no centro produção e de distribuição de informações para o nosso corpo. Também chamados respectivamente de cérebro e medula, essa dor pode provocar tanta limitação quanto as próprias consequências de um derrame para o corpo, por exemplo. Para facilitar, imagine que o cérebro, mais especificamente o tálamo (depois falo mais dele) é uma grande fábrica de cerveja. Produz a cerveja (estímulo do neurônio), embala (mielina das vias de transmissão), leva no caminhão (medula) e chega a barriga do consumidor ou a picanha de fim de semana (corpo). Qualquer lesão neste caminho, que também chamamos de via espino tálamo cortical (medula, tálamo e córtex) pode provocar a dor neuropática central ou apenas dor central.

Entre 60 e 70% das pessoas que sofrem lesões na medula vão ter essa dor.

Entre 20 e 40% na esclerose múltipla.

Cerca de 8% nos derrames (AVC).

E que dor é essaaaaaaaa??

Após 1 semana da lesão, entre 35 e 40% das pessoas vão ter dor central. Mas, como a vida não é fácil, 11% começam a ter essa dor mesmo após 1 ano. A dor é tipo queimação, difusa, constante, profunda ou superficial, sensações disestésicas (diferente sensibilidade) e alodínea. Lembram da querida alodínea??? Refresquemos a memória: http://dorescronicas.com.br/desvendando-os-misterios-da-dor-–-alodinia/

Dói movimentar a área do corpo correspondente com a lesão. Enfim, uma bomba de chocolate para quem não gosta de chocolate. E essa dor, caro leitor (a) não passa. Dor constante, intensa, que dificulta a vida, limita, ta me cheirando a Dor Crônica hein??? Essa foi moleza.

Quando a dor é crônica, vários mecanismos de dor se misturam a dor central, então precisamos de múltiplos tratamentos.

Bom, continuando a falar do centro da cidade, vamos nos preocupar com Tálamo, que vem do grego Thálamos que significa quarto ou câmara do cérebro. Não é do conceito de estratégia em grego do capitão nascimento. Este quarto exclusivo do cérebro é como se fosse uma suíte standard de alta rotatividade, onde não param de passar pessoas e elementos. Mas, não é só de passagem que vive o tálamo. Ele é o quarto mais organizado, com mais brinquedinhos e por isso todo mundo quer passar por ali. Depois, meu amigo, que passa pelo tálamo e vai para as outras suítes presidenciais (ex. Córtex pré-frontal e córtex motor) você nunca mais é o mesmo. É exatamente isso que acontece. Porém, a lesões no sistema nervoso central se atingirem o tálamo ou suas vias de passagem provocam dor na sua grande maioria.

QUE PAPO CHATO ESSE DO TÁLAMO

O sistema nervoso central fica tão aborrecido mas tão aborrecido que tem algumas reações não desejadas:

  1. perde os mecanismos nós mesmos temos para controlar a dor
  2. perde a capacidade de trazer os estímulos de longe = desaferentação
  3. o tálamo não é o culpado mas leva a culpa
  4. mudanças no funcionamento dos centros de produção e distribuição.

Enfim, o que fazer para melhorar essa dor?

Eu que sou um super fisioterapeuta tenho que me ajoelhar, levantar as mãos e pedir ajuda. É preciso um trabalho em equipe. Lembrando que a dor, além de central, também é crônica. A fisioterapia não capaz de controlar esse mecanismo de dor sozinha.

Alguns fisioterapeutas porém estão usando uma super terapia chamada de estimulação magnética transcraniana ou TSM (inglês para os íntimos) mas que não é exclusividade do fisioterapeuta porém com ótimos resultados.

Médicos estão implantando chips para estimular novamente o funcionamento do cérebro e medula, que ajudam bastante na dor também.

Medicações são necessárias para organizar o funcionamento dos neurônios em curto como por exemplo os anticonvulsivantes ou estabilizadores de membrana.

Mas, como a dor será crônica temos ai muito a fazer, não diretamente sobre a dor central. Outros mecanismos de dor estarão presentes como dor musculoesquelética.

Uma equipe multidisciplinar é sempre a melhor solução para a dor crônica. Agora, já vi 300 clínicas que se dizem multidiciplinares e só médico ou só fisioterapeuta. Isso é Multidisciplinary Embromation Clinique.

Abraços centrais

Artur Padão Gosling – Pada.

  1. 2, dezembro, 2010 em 12:59 | #1

    Amei a comparação do tálamo com a cerveja.
    Muito didático. ahahahaaha

    Graaande maleta. Tá ficando importante demais hein! =)

  2. 2, dezembro, 2010 em 14:22 | #2

    É né. você será minha acessora particular. HEHEHE.

  3. 6, dezembro, 2010 em 15:16 | #3

    Olá, Artur! Tudo bem?

    Antes de mais nada, queria elogiar a sua iniciativa! Seu blog possui com um conteúdo muito bem produzido e de extrema qualidade. Parabéns de verdade!

    Meu nome é Ivana Kroeger, sou da agência FullTecno e responsável pelos conteúdos do blog ABCdor, que tem por objetivo oferecer informações sobre dores crônicas.

    Se quiser dar uma passada no blog (http://www.abcdor.saude.ws/) para conhecer o nosso trabalho, é mais do que bem vindo!

    Atenciosamente,
    Ivana Kroeger

  4. 6, dezembro, 2010 em 16:13 | #4

    Olá Ivana, tudo bem???
    Obrigado pelos seus comentários e elogios. Na verdade, já conheço o seu blog ABCdor, sempre entro para ler as matérias e inclusive está na minha lista de blogs que eu indico para leitura, na página de contatos gerais. Acho que conheci o ABCdor quando li uma das minhas postagens no seu blog, sobre cinesiofobia. Enfim, obrigado novamente.
    Aqui você sempre vai encontrar as informações de forma simples, interessante e divertida.
    Abraços

    Artur

  5. dilesia marcansoni
    29, março, 2011 em 17:34 | #5

    Gostei muito do comentario do congresso. mas o,que me chamou atenção foi sobre a dor central pois já me submeti a 6 cirrurgia na coluna, sendo que foi feito 3artrodese lombar, toraxica; cervical. cntinuo com muita dor , tenho dificuldade de caminhar ,perda da força nos membros superiores, o que devo fazer/? além da fioterapia, e analgesicos?

  6. 31, março, 2011 em 23:08 | #6

    Olá Dilesia. é importante manter seu tratamento regular com exercícios, remédios e ser ativa em suas atividades diárias. Deve ter uma boa relação com seu médico, fisioterapeuta e talvez procurar ajuda de um psicólogo para lhe ajudar a lidar melhor com a dor. Tente caminhar, mesmo q por pouco tempo. Enfim, pode ser q a dor demore mesmo ou nunca passe. por isso buscar o alivio e qualidade de vida sejam opções mais realistas.

    abraços

  7. Tatiane
    22, julho, 2011 em 12:58 | #7

    Arthur, suas informações foram muito esclarecedoras, eu estava procurando respostas sobre isso, tenho uma prima que está neste momento passando por isso, então, pelo que eu entendi ela vai ter que aprender a conviver com essa dor? outra coisa, ela é nova tem 32 anos e nunca teve nenhum tipo de derrame ou coisa parecida, por que então essa lesão no tálamo? numa pessoa saudável e jovem? infelizmente a ressonancia confirmou lesão.

    Muito obrigada,

    Tatiane Amorim.

  8. 22, julho, 2011 em 20:42 | #8

    Olá tatiane. nem todas as pessoas que tem lesão também tem dor. esse tipo de dor, chamada dor neuropática central (lesão no sistema nervoso central) só acontece quando existe lesão. caso contrário, ainda se faz necessário descobrir o motivo. existem pessoas que vão sentir dor para o resto da vida sim, principalmente aquelas que sofreram lesões importantes e que envolveram o sistema nervoso. Porém, é importante aprender sobre o problema, lidar melhor com a situação e sempre se cuidar. Se cuidar, não significa fazer tratamentos o tempo todo. existem tratamentos atuais super modernos para implantar eletrodos no sistema nervoso para controlar a dor. Isso diminui a quantidade de remédios.

    até mais.

    abraços

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