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CORRER PODE AJUDAR NA DOR CRÔNICA?

Há um grande equívoco quando falamos sobre correr como exercício físico. Mas, como qualquer outra atividade física, sempre terá alguém falando a respeito. Vão existir os prós e contras, críticos e céticos, os que conhecem e os que não conhecem e a pior categoria: os que acham que conhecem e na verdade não entendem do assunto. A corrida contra a dor e a gente contra a corrida. Vê se pode!

A corrida sempre foi um tipo de exercício muito criticado por provocar:

Impacto constante sobre as articulações

Repetição constante de movimentos

E também sempre foi muito bem falada:

Melhora do bem estar

Melhora da respiração e circulação

Ajuda a emagrecer

Melhora da mobilidade do corpo

Bastante, inclusive!

Há bastante tempo já se fala que a corrida ou qualquer outro exercício aeróbico sejam capazes de controlar a dor. Em muitos atletas nós conseguimos ver isso, principalmente quando se lesionam no esporte e continuam jogando.

Porém, algumas pesquisas estão surgindo a respeito da corrida poder ajuda a controlar a dor crônica. Como?

O tipo de exercício que é a corrida, exercício aeróbico, ajuda no condicionamento físico geral do corpo. Quanto melhor o condicionamento maior a nossa capacidade de movimentar o corpo sem se cansar tanto.

Só quem corre regularmente sabe o quanto é prazerosa a sensação de bem estar após a corrida. Isso é causando pela liberação de uma série de substâncias que o próprio corpo produz.

Estas substâncias fazem parte do nosso sistema de eliminação da dor e são produzidas e jogadas diretamente no cérebro e medula.

Esperto nosso sistema nervoso hein?

Algumas delas são bastante conhecidas:

Endorfinas – participam de um sistema chamado de supressor de dor ou eliminador de dor. É a grande responsável pela sensação de prazer e satisfação. Também são liberadas quando comemos alguns alimentos, rimos compulsivamente e também no sexo, mas infelizmente não sei o tipo.

Dopamina – proteger o sistema nervoso da dor e aumentar a motivação e o prazer do exercício.

Noradrenalina – é liberada durante todo o exercício para ativar os músculos e também faz parte do sistema eliminador de dor que o próprio corpo tem.

Serotonina – não podia ser diferente e ajuda no controle da dor por diminuir a percepção da dor.

Hormônio do crescimento – é uma das substâncias mais importantes, pois ela meio que renova as células do corpo durante o sono. Também ajuda no funcionamento do sistema eliminador de dor.

Uma questão muito interessante de se falar é que essas substâncias todas estão em falta na dor crônica, ou seja, o organismo diminui a capacidade de produzi-las. Sendo assim a corrida é uma boa indicação para o controle de dor para   que ajude no aumento destas substâncias. Só que tem um detalhe: apenas as pessoas que fazem corrida ou qualquer outro exercício aeróbico regular é que conseguem a liberação frequente dessas substâncias. E também quanto mais intenso e longo o exercício maior a quantidade de substâncias liberadas. Mas para chegar lá pode ser um processo doloroso e cansativo que necessita de superação pessoal e motivação, pois a maiorias das pessoas com dor crônica não conseguem fazer exercícios regulares. Mesmo começando devagar já vale a pena.

As substâncias que falamos acima ajudam e muito no controle da dor. Porém não fazem milagre. Tratar dor crônica depende de muitos outros aspectos além do físico. Provavelmente a corrida consegue diminuir um dos vários aspectos que mantém a dor crônica.

Não tenham medo de indicar a corrida para os pacientes, claro que dentro das possibilidades de cada um. Se não for a corrida, que seja outro exercício, o importante é manter a pessoa com dor crônica ativa no dia-a-dia.

Por favor, antes de resolver sair correndo na rua veja se você está preparado para tal. Os profissionais para lhe avaliar e orientar neste aspecto são os médicos do esporte e cardiologistas, educadores físicos e, claro, como eu, os fisioterapeutas. Correr não é desfile de moda como nas academias, precisa ter roupa adequada e, na dor crônica, não é busca do corpo perfeito. Nisso o Photoshop faz milagres.

Um ótimo artigo de referência.

http://www.scielo.br/pdf/rbme/v15n2/v15n2a13.pdf

até a próxima.

Artur Padão Gosling – Pada

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