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AS FALHAS NAS CIRURGIAS DE COLUNA NA DOR CRÔNICA

O que podemos dizer sobre o sucesso nas cirurgias de coluna? A quantidade de pessoas que não melhoraram seus sintomas é muito grande. Tal fato hoje preocupa e muito médicos pesquisadores, cirurgiões, fisioterapeutas, psicólogos que tentam entender o porquê do grande número de falhas, mesmo quando era pra dar tudo certo.

Quais as explicações para tantas falhas? Porque a dor persiste mesmo operando o suposto problema?

O sucesso ou fracasso da cirurgia terá vários fatores envolvidos, que vamos chamar de preditores. Preditor ou predizer significa anunciar com antecedência o que vai acontecer. O fracasso ou falha estará relacionado a fatores de risco possíveis de serem previstos e modificados antes, durante ou depois da cirurgia. Isso é mais difícil do parece e não podemos consideras as cirurgias, mesmo que as mais simples, uma forma fácil para resolver um problema como a dor crônica. Lembrando que a dor crônica não tem cura e sim controle, portanto a cirurgia na coluna terá seu efeito na patologia. Operar hérnias, bicos de papagaio, degeneração não muda a forma que a pessoa encara a dor, os medos, as crenças, a depressão, a ansiedade.

Fatores que predizem o fracasso das cirurgias de coluna (sintomas de longa duração na dor crônica). Estes fatores significam que haverá uma maior chance da cirurgia falhar se um ou mais destes fatores estiverem presentes.

- oferecer a cura da dor crônica através da cirurgia;

- já ter feito outra cirurgia de coluna antes;

- não identificação correta da lesão na coluna para ser operada;

- estado geral de saúde ruim;

- ter doenças associadas;

- ter patologia na coluna como à hérnia de disco associada à dor crônica;

- fumar – diminui a função dos músculos da coluna (principalmente na artrodese);

- dores de longa duração (tempo prolongado);

- dores onde já existe lesão no nervo (comprovado no exame de eletroneuromiografia – aquele que examina nos nervos com as agulhas e choques);

- incapacidade nas atividades do dia-a-dia por muito tempo;

- estar inativo ou sedentário;

- sofrimento psicológico como depressão e ansiedade;

- reforço da dor por parte da família. Quanto mais à família te tratar como doente e inválido pior;

- estar afastado do trabalho por muito tempo ou insatisfeito; Basta assistir o filme “Como enlouquecer seu chefe” para ver do que estou falando.

Hoje, estes são fatores imprescindíveis de serem avaliados antes de realizar a cirurgia. Alguns médicos no mundo todo pedem avaliações de outros profissionais como os psicólogos para saber se a pessoa tem condições emocionais de encarar e suportar a cirurgia. Fisioterapeutas avaliam a capacidade física e funcional para isto também. Trabalhar em equipe é bom porque podemos ter todos estes aspectos avaliados, no meu caso.

A dor pode persistir por diversas causas ou porque a causa não pode ser removida com cirurgia. Claro, estamos falando de dor crônica.

- Quantidade de patologia na coluna na pessoa com dor crônica, na maioria das vezes, não tem correlação com a dor. Por mais que se saiba que artrose, degeneração, hérnias causam dor, quando falamos de dor crônica, essas alterações são apenas parte do problema;

- Não identificar os fatores de risco, como falamos acima dos preditores, favorece a persistência da dor mesmo com a cirurgia, pois a dor não é física apenas;

- Muitas cirurgias são feitas sem necessidade o que acaba piorando o quadro – inexperiência e/ou ganância causam isso;

- Podem acontecer imprevistos mesmo quando está tudo certo;

Agora você, que tem dor crônica, que leu este post e vai fazer uma cirurgia na coluna, veja se tem reais condições físicas, psíquicas e sociais para tal. COBRE ISSO.

Recomendo aos profissionais de saúde o artigo: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16320033 ou http://www.coluna.com.br/revistacoluna/volume5/preditores_171206.pdf

abraços

Artur Padão Gosling – pada

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