As dores após a morte de pessoas queridas

Parece um tema meio religioso demais, mas não é. Já tive a oportunidade de atender muitos casos de pessoas que desenvolveram sintomas dolorosos após a morte de pessoas queridas ou muito próximas, tipo familiares e amigos. Existem poucos relatos nos trabalhos científicos e por isso recebe pouca atenção. Mas, esta que seria uma oportunidade de se aprofundar nas pesquisas, acaba sendo deixada de lado por ser um tema extremamente delicado.

 

Mas, será que a pessoa que morre sente dor?

Se pensarmos que o cérebro comanda tudo e decide quando dói e quando não dói, então teoricamente não teríamos dor. Mas, como sempre, alguém resolveu questionar isso. Pesquisadores de Boston, nos Estados Unidos, tem uma teoria de que mesmo mortos podemos sentir dor, pois existem várias regiões do corpo que poderiam produzir estímulos dolorosos, como o tálamo. Eles argumentam relatando que pessoas que sofrem acidentes traumáticos graves se queixam de dor por meses, então a dor poderia estar presente sim mesmo após a morte em eventos traumáticos. Eu acho uma viagem total, mas muitas pesquisas já mostraram que ao estimularmos áreas como o tálamo, ocorriam sintomas dolorosos.

http://www.gather.com/viewArticle.action?articleId=281474978512144

 

 

Como são as dores dos familiares e amigos?

Olha, realmente eu não sei falar das dores de outros, mas a expressão corporal e facial diz tudo. Talvez uma mistura de uma dor mal localizada, estranha, que espalha e que se mistura a uma série de reações emocionais. E, claro, não posso deixar de falar que tudo isso está ligado diretamente a uma coisa: o sofrimento propriamente dito. Dor crônica e sofrimento costumam ser melhores amigos, mas quando as emoções resolver entrar no ciclo de amizades, ai é fácil perder o controle. Tipo “Persona non grata”

Falando com uma propriedade mais científica, chamamos as dores provocadas por este evento de dores causadas por mecanismos cognitivo afetivos. Um lindo nome para explicar as dores provocadas por reações emocionais e comportamentais anormais.

 

E agora?

Mas, vamos falar sério agora. Realmente, como explicar a dor que sentimos quando alguém muito próximo não estará mais no dia seguinte? Qual o mecanismo que realmente ilustra isso? Cara, eu acho que é tão sinistro e ruim a sensação que não existem explicações altamente científicas para isso. Não existe técnica fisioterapêutica, remédio, acupuntura ou qualquer intervenção psicológica que realmente tire você de uma situação dessas.

Religiões acreditam que devemos passar por isso ou que faz parte da vida ou que a morte é apenas uma passagem. Como a religião, a meu ver, quer na maioria das vezes mostrar apenas um ponto de vista para que você acredite, acaba se tornando o ponto de apoio de muitas pessoas para superar tudo.

 

Reações emocionais como a depressão, culpa, tristeza, angustia, ansiedade, as quais são comuns a essas situações, acabam desequilibrando nosso corpo de diversas maneiras, da mesma forma que na dor crônicas. Morte de pessoas queridas podem ser muito traumáticas para alguns. O sofrimento tem prazo de fabricação mas não tem de validade. Já a superação nem prazo tem. O fato é que isso pode marcar de forma triste e traumática, da mesma forma que a dor crônica.

 

Enfim, esta é uma postagem em homenagem a um grande amigo meu, que morreu num acidente estúpido e sem nenhuma culpa nesta semana aqui no Rio de Janeiro na Ponte Rio-Niteroi.

Isso é uma grande lição para vermos que do nada as coisas acabam e não voltam a ser como antes.

Espero que aonde quer que ele esteja, se estiver, possa estar desfrutando de coisas melhores do que eu aqui escrevendo sobre dores crônicas.

 

Dores podem marcar a vida de muitos. Agora, onde dói? Como dói? Sei lá, só sei que dói :)

 

Abraços menos mortalizados…

Artur Padão Gosling – Pada

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